50 ANOS DE ARTE
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de maio de 2001
Francelino França De Londrina 
Ao comemorar 50 anos, a mostra em homenagem à Bienal de Artes Plásticas de São Paulo não abraça totalmente a fórmula de exposição retrospectiva, mas pretende dialogar com o futuro. Bienal 50 Anos uma Homenagem a Ciccillo Matarazzo presta um tributo ao criador da Bienal. O evento será aberto ao público a partir do dia 24 de maio, no 3º andar das dependências do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Hoje acontece a abertura oficial somente com a presença de convidados.
Um espaço acanhado, resultado da crise financeira e administrativa pelo qual passou a Fundação Bienal. A mostra foi organizada em dois núcleos, histórico e contemporâneo. Além da homenagem ao fundador da Bienal, a mostra celebra as poéticas urbanas e o impacto da megalópole sobre a produção artística nacional.
Em 1951, o impacto da primeira Bienal em nossa cultura, segundo especialistas, equivale ao produzido pela abertura dos portos na economia do Brasil colonial. Foram 1.800 obras de 21 países. O grande evento veio ampliar os horizontes da arte brasileira. O contraste entre a atmosfera provinciana de São Paulo e as obras de linguagem contemporânea criaram imagens pitorescas na cidade, segundo registraram os jornais da época.
Como primeiro resultado, o evento rompeu o círculo fechado em que se desenrolavam as atividades artísticas do Brasil, tirando-as do isolacionismo provinciano. O confronto entre a produção nacional versus internacional teve como efeito a quebra da tradição modernista e a renovação da linguagem plástica. Curadores internacionais e artistas estrangeiros entraram em contato com a produção visual brasileira, o que propiciou um intercâmbio cultural. Ao contrário do museu, a função da Bienal se mostrou evidente desde o início, que é o de sintonizar o presente e até mesmo sondar o futuro.
Nesta mostra comemorativa aos 50 anos da Bienal são recuperadas parte das obras premiadas em edição anteriores. Dividida em duas partes, além de apresentar no primeiro núcleo uma retrospectiva das obras premiadas, traz um segmento em que apresenta uma linha do tempo com 80 metros de comprimento para relacionar a trajetória das bienais ao contexto cultural brasileiro e internacional. Esse segmento tem a curadoria de Chico Homem de Melo. Em entrevista à Folha2, o curador ressalta: O projeto arquitetônico da exposição prevê uma série de intervenções no espaço, que não são obras em si. Serão utilizados planos e véus que qualificam o espaço neutro pintado de branco. Nessa retrospectiva estão agrupados artistas como Lygia Clark, Milton da Costa, Maria Leontina, Alexander Calder, Jesus Soto, entre outros.
O maior núcleo da mostra tem como curadoras Daniela Bousso e Maria Alice Milliet. Elas indagaram: como Ciccillo faria a Bienal hoje? A resposta recebeu uma concepção tecnológica, que contempla as múltiplas manifestações da arte no Século 21. As curadoras reuniram artes plásticas, design e a arquitetura, incorporando novos meios como o vídeo e a internet. Segundo as curadoras, esse núcleo procura detectar pontos de tensão das cidades. O segmento denominado Zona de Tensão apresenta artistas que trabalham com fotografia, instalação e meios eletrônicos, como Ana Tavares, Miguel Rio Branco e Rosângela Rennó, Carlos Miéle, Maurício Dias/Walter Riedwig e Regina Silveira. Maria Alice Milliet justifica essa reunião de artistas porque a arte atual é eminente urbana e está ligada aos novos meios.
Bienal 50 anos - Uma Homenagem a Ciccillo Mattarazzo, de 24 de maio a 29 de julho, Pavilhão da Bienal (Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera; portão 3). Horário: de terça a domingo - das 10 às 21 horas;
Preço do ingresso: valor R$ 5,00 (inteiro); (crianças até 6 anos e maiores de 65 anos não pagam); (crianças de 07 a 12 anos - meia entrada); (estudantes com carteirinha pagam meia). Às quartas-feiras, a entrada é gratuita.


