Ainda que homens, a alma não tem gênero, o que torna todos iguais na delicadeza e vigor. Eles são os ''Territórios'', coreografia da Esther Weitzman Companhia de Dança, que abre hoje, às 20h30, o 5º Festival de Dança de Londrina, no Teatro Ouro Verde. O festival traz a Londrina entre professores, alunos e bailarinos, que integram as companhias convidadas, cerca de 500 pessoas.
Na abertura, os bailarinos Márcia Jaqueline e Cícero Gomes, do elenco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, também apresentam o Pas-de-Deux ''Corsário''.
Coreografia reconhecida pelo jornal ''O Globo'', como um dos melhores espetáculos de 2006, ''Territórios'' parte de seis homens para chegar num lugar onde a musculatura fala não só de força, mas de afeto, camaradagem e amizade masculinas.
Na montagem original, o elenco é composto por oito bailarinos de várias companhias. Em algumas apresentações, como no festival londrinense, não é possível reunir os oito bailarinos, que têm que cumprir compromissos da agenda particular. Porém, a coreografia não fica comprometida com o número menor.
No palco, eles põe as suas emoções para dançar com as suas histórias, amores, dores, valores e medos diferentes, conseguindo uma fraternidade, que transforma todos em um único corpo.
''Na coreografia nós falamos da pluralidade do mundo. Para isso tentamos reunir bailarinos que expressassem essa coisa heterogênea'', comenta Esther, ressaltando que a diferença não está apenas na formação de cada um deles e na linguagem coreográfica que costumam trabalhar, mas também no físico dos integrantes do elenco.
Para falar sobre ''Territórios'' é preciso destacar que a coreógrafa criou uma companhia de dança, que mantém intimidade com a pesquisa.
É dessa relação que surgem esses homens sob o comando de uma mulher, que os despe no palco de alguns preconceitos para que encontrem a virilidade nos movimentos - ainda que suaves e delicados.
Com a tolerância conduzindo os corpos, eles conseguem encontrar uma forma de diálogo semeado nas diferenças. Nos 50 minutos de duração de ''Territórios'', as pausas, os silêncios no palco, se juntam ao repertório dos bailarinos, que têm histórias pessoais também para contar - ruído que poderia ser ensurdecedor, mas que espera a vez para entrar em cena.
Esther e Roberto Pereira ministram no festival, o curso ''Investigações Coreográficas''. Ela é especialista em Arte e Filosofia (PUC-RJ) e formada em dança pela Escola Angel Vianna e também em Educação Física na Universidade Gama Filho.
Em ''Territórios'' mais do que um lugar chamado ''homem'', Esther convida o público a explorar um universo, que se esconde atrás da força e a razão masculinas.

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