40 anos de memórias do Filo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de maio de 2010
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Uma fissão juvenil espalhou particulas de contracultura em todo o mundo no enigmático ano de 1968, contaminando também a juventude londrinense. Nas ruas, universidade e palcos, como o Festival Universitário, o desejo de fazer uma revolução através da arte, deixou de herança o Festival Internacional de Londrina (Filo), o mais antigo e tradicional evento teatral da América Latina. Quatro décadas de história que uma das protagonistas, Nitis Jacon, conta em livro lançado hoje em Londrina.
''Memória e Recordação Festival Internacional de Londrina - 40 Anos'' é um link para aqueles anos em que o mundo se surpreendeu com os assassinatos de Robert Kennedy, Martin Luther King, a Guerra do Vietnã e, os brasileiros, enfrentaram o mais arbitrário instrumento da ditadura, o Ato Institucional Número 5 (AI-5).
O livro abre páginas que apontam também para o futuro inovador e de experimentação do festival na trajetória que reuniu em Londrina ícones como Eugenio Barba e Kazuo Ohno, o pai da dança Butoh.
''Por quinze vezes teve que retornar para os aplausos, até que Yoshito pediu que não mais aplaudissem, pois seu pai necessitava repousar. Ajoelhei-me diante dele e lhe beijei as mãos'', lembra Nitis, que durante 37 anos esteve à frente do Filo e, atualmente, é presidente de honra do festival.
''Muitas coisas ficaram de fora na publicação e ainda merecem ser tratadas, mas trabalho com a tese de que o festival não é um evento de um momento de encontro no meio do ano. Desde o princípio dá continuidade o ano inteiro'', destaca Nitis.
Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Paranaense e do Teatro Brasileiro, o festival vai além da reflexão e de um panorama das artes cênicas no mundo, através da curadoria de espetáculos que hoje tem à frente o diretor Luiz Bertiplagia.
''Sempre pensei que se houvesse alguém para contar a história do Filo teria que ser a Nitis'', comenta Bertipaglia.
Num contexto em que o circuito nacional de festivais amarra programações parecidas, levando em conta fatores econômicos, o Filo ainda é resistência cultural.
''Acho que o Filo está caminhando bem e o desejo é que não passe a se constituir mais um festival dentro de uma padronização em que os eventos costumam apresentar as mesmas companhias porque fica mais barato. O Filo é diferente'', analisa Nitis.
Serviço-
Lançamento do livro Memória e Recordação Festival Internacional - 40 Anos
Quando - Hoje, 19h30
Onde - Blue Tree Premium


