ReproduçãoLou Reed: ‘‘Não poderia ficar sempre fazendo a
mesma coisa, tipo escrever uma música sobre ecstasy’’Um dos mais influentes nomes do rock está comemorando 30 anos de carreira. Lou Reed acaba de lançar na Itália o disco duplo ao vivo ‘‘Perfect Night Live’’, que traz novas versões de sucessos do Velvet Underground e também de seus discos-solo. Aos 56 anos, Reed continua produzindo e compondo com a mesma frequência do início de sua carreira: já anunciou que está preparando um novo disco de estúdio, a ser lançado no início de 1999, e continua envolvido em eventos beneficentes, filmes, documentários e projetos de outros músicos.
O novo disco, gravado em Londres durante uma pequena turnê que Reed fez em julho, é a primeira compilação ao vivo em 20 anos que não traz exclusivamente material do Velvet Underground, o grupo formado por ele ao lado de John Cale, Nico, Sterling Morrison e ‘‘Moe’’ Tucker. Além de sucessos como ‘‘Vicious’’ e ‘‘Perfect Day’’, o álbum traz também três faixas que fazem parte da ópera ‘‘Time Rocker’’, de Robert Wilson, que estreou no ano passado em Nova York. Inspirada em ‘‘A Máquina do Tempo’’, de H.G. Wells, a obra tem 16 faixas assinadas por Reed. As que fazem parte do disco são ‘‘Talking Book’’, ‘‘Into Divine’’ e ‘‘Why Do You Talk’’.
Nos últimos anos, o músico teve seu trabalho redescoberto por conta de lançamentos como ‘‘Peel Slowly and See’’, em 1995, ‘‘Loaded: Fully Loaded’’, em 1997, uma reedição ampliada do álbum ‘‘Loaded’’, de 1970, e ‘‘Set the Twilight Reeling’’, em 1996, seu primeiro disco de estúdio em quatro anos. Há dois anos, o Velvet Underground se reuniu mais uma vez - eles ficaram estremecidos depois de uma turnê em 1993 - para receber a homenagem do Rock and Roll Hall of Fame, em que apresentaram ao vivo boa parte de seus hits. Recentemente, ele também foi o tema do documentário ‘‘Lou Reed: Rock and Roll Heart’’, dirigido pelo fotógrafo Timothy Greenfield-Sanders. Exibido no Festival de Sundance, em janeiro, o programa vai ser apresentado na TV norte-americana no fim do mês.
No fim do ano, Reed foi o artista responsável por uma das mais tocadas faixas na Inglaterra, uma versão de ‘‘Perfect Day’’ gravada com a participação de nomes como Bono Vox, Elton John, David Bowie, Suede e MPeople. O projeto, que foi acompanhado de um clipe no estilo ‘‘We Are the World’’, fez parte de uma campanha da BBC para divulgar a música ao vivo. ‘‘Perfect Day’’ já havia ganhado uma onda de revival com o filme ‘‘Trainspotting’’, de Danny Boyle, em 1995.
O músico também tem se envolvido em eventos experimentais pouco divulgados. Acompanhado de sua companheira Laurie Anderson, na semana passada, ele apareceu em uma celebração do feriado judaico no clube underground Knitting Factory. A jam, da qual participaram também a comediante Sandra Bernhard e o guitarrista Gary Lucas, foi concebida para ser transmitida ao vivo pela Internet.
A ligação com Anderson foi o principal impulso para que Reed passasse a usar computadores para compor suas músicas. ‘‘Hoje em dia gasto muito tempo em frente ao computador tentando fazer algo aparecer’’, diz o músico em uma entrevista na edição de maio da revista norte-americana ‘‘Interview’’. ‘‘Acho melhor tentar escrever músicas todos os dias do que esperar que elas venham sozinhas.’’ Reed, que já tem boa parte de seu próximo disco encaminhado, confessa que seu maior medo é que as melodias que ‘‘vêm à sua cabeça’’ sejam músicas conhecidas de outros artistas.
Para quem sente falta da carga de polêmica que marcou o trabalho do artista nos anos 70, época em que ele glamourizou as drogas e a ambiguidade sexual, Reed avisa que a mudança é o ‘‘único caminho’’. ‘‘Não poderia ficar sempre fazendo a mesma coisa, tipo escrever uma música sobre ecstasy, para seguir a mesma linha de ‘‘Heroin’’, diz.

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