Décio Pignatari é um nome que serve de referência na literatura brasileira, especialmente na poesia, por ter sido um dos criadores, junto dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos, do movimento concretista, nos anos 50. Hoje, aposentado - deu aulas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e na Escola Superior de Desenho Industrial, do Rio de Janeiro - prepara-se para trabalhar especificamente numa destas três áreas: literatura, mídia e design.
Autor de obras que estão entre as mais importantes já publicadas, como a ‘‘Semiótica da Literatura’’ e ‘‘Teoria da Poesia Concreta’’, entre mais de dez títulos, Pignatari não consegue responder a uma pergunta: o movimento concretista daria certo nestes tempos aturdidos de final de século? Seriam os anos 50 o momento ideal para esses arrojos?
‘‘Difícil dizer como as coisas ocorrem, porque se dão grandes piques de criação em certos momentos, e em outros não’’, diz o poeta. Uma coisa é certa: os anos 50 - ou anos dourados - foram excepcionais no Brasil e no mundo, afirma. Aqui nascia Brasília, Pelé, tínhamos o gosto da vitória da primeira Copa do Mundo, movimento do cinema novo, a bossa nova. O mundo celebrava o Sputnik, a Nouvele Vague. O mundo era feliz. Mas será que ele sabia?(Z.C.L.)

mockup