25 anos de boas histórias
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quarta-feira, 09 de dezembro de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
A entrada era ao lado da Biblioteca Pública. Passava-se por um corredor e lá estavam as salas cheias de livros e revistas. Estantes, mesas e cadeiras baixas já deixavam claro: ali, o universo todo era das crianças. E que universo! Quantas aventuras não foram vividas ali, no decorrer desses 25 anos?
Quem frequentou a Biblioteca Infantil nas décadas de 1980 e 1990 provavelmente nem se lembra mais dos livros lidos ou emprestados ali. Quando muito, se recorda de uma ou outra obra mais marcante e do cachorro-quente servido em ocasiões especiais. Mas a estrutura toda continua lá, encantando novas gerações de crianças com histórias que, ao contrário da nossa memória, não se apagam tão facilmente.
Inaugurada em 10 de dezembro de 1984, a Biblioteca Infantil comemora seu Jubileu de Prata esta semana com uma exposição de fotos resgatando momentos especiais. A mostra pode ser visitada até sexta-feira, das 8h às 18h. Também haverá a ''Hora do Conto'', realizada hoje em duas sessões: às 10h e às 15h.
Outro motivo para se celebrar é a liberação de R$ 2 milhões para reformar a Biblioteca Pública, em um projeto que envolve também a Bilbioteca Infantil. ''Queremos adequar o espaço para redimensionar o atendimento às crianças e o acervo. Em uma segunda etapa, pretendemos adquirir mais livros e computadores para que elas tenham também acesso a outras mídias'', projeta Rovilson José da Silva, diretor de Bibliotecas de Londrina. Há pelo menos dez anos o município não realiza uma compra substancial de livros para a instituição.
Atualmente, o acervo da Biblioteca Infantil é de aproximadamente 7 mil volumes, sem contar os gibis. Os empréstimos mensais variam entre 800 e 1 mil exemplares. E uma curiosidade: uma pequena parte desses empréstimos é feita pelos próprios funcionários, que levam os livros para seus filhos. É o caso de Márcia Lumi Hasuda Ono, que trabalha na biblioteca há mais de duas décadas. Além de levar boas histórias para casa, ela também leva os filhos Matheus, 6 anos, e Marcelo, 5 anos, todo sábado para escolherem as obras preferidas. ''Eles mesmos pedem para entrar'', comenta.
A servidora Lucinéia Chamorro é outra que leva livros para os filhos lerem em casa. Seu amor pelos livros é antigo: quando criança, ela devorou a pequena estante destinada às obras infantis quando a bilbioteca ainda ficava onde hoje funciona a Secretaria de Cultura. ''Livro é algo que vicia, porque ali tem uma história, uma aventura, ou a oportunidade de se conhecer algo novo'', opina.
Já no caso de Maria Helena Boletti, foi a necessidade de levar o filho Ruan, 10 anos, ao trabalho vez ou outra que acabou despertando no garoto o gosto pela leitura. ''Ele lê muito e se desenvolveu bastante com isso. A professora elogia, porque ele sabe inventar histórias e tem um bom desempenho'', orgulha-se. Por ter vivido até os 14 anos na zona rural, Maria Helena aprendeu sozinha a importância dos estudos, e por isso dá todo o incentivo ao filho. ''O estudo abre as portas para se conseguir algo na vida. Foi assim comigo, e creio que vai ser também com ele.''


