Francelino França
De Londrina
Uma exposição fotográfica e a edição de um livro resgatam montagens do diretor paulista Antunes Filho. A mostra está sediada no Conjunto Cultural da Caixa, em São Paulo. E o livro ‘‘O Palco de Antunes’’ (Editora Fotograma), de Emidio Luisi, chega às livrarias esta semana. São registros fotográficos dos últimos 21 anos de criação cênica de Antunes Filho, no Centro de Pesquisa Teatral do Sesc Consolação, em São Paulo.
O polêmico diretor teatral fez uma revolução chamada ‘‘Macunaíma’’, em 1978. A peça, pode-se afirmar sem exageros, foi a pedra angular em sua carreira e na cena teatral brasileira. Antunes colecionou prêmios, deitou em reconhecimento internacional e ganhou público fiel. Foi a partir de ‘‘Macucaíma’’ que se tornou o único representante brasileiro de sucesso comercial a se dedicar exclusivamente à pesquisa.
Esse foi o embrião para a criação do Centro de Pesquisas Teatrais do Sesc, que constituiu uma nova teoria e prática teatral. Antunes imprimiu as leis da pesquisa rigorosa em seu grupo de jovens atores, acrescentando a eles a responsabilidade autoral e a militância pedagógica. Com essa filosofia, a cada montagem, seu teatro ressurge oxigenado.
Depois de Mário de Andrade, Antunes Filho colocou em cena Nelson Rodrigues e seus múltiplos, embalou ‘‘Romeu e Julieta’’ nas batidas dos Beatles, alforriou ‘‘Xica da Silva’’ do folclore, mostrou o ‘‘ser-tao’’ de Guimarães Rosa, atravessou a floresta mitológica de chapeuzinho vermelho em ‘‘Nova Velha História’’. O diretor intensificou os conflitos em ‘‘Trono de Sangue’’ e o fanatismo ingênuo de ‘‘Vereda da Salvação’’. Não deixou de escavar os arquétipos de figuras míticas em ‘‘Gilgamesh’’, exorcizar ‘‘Drácula e Outros Vampiros’’, flertar em ‘‘Prêt-a-Porter’’, até desaguar nas raízes do teatro em ‘‘Fragmentos Troianos’’. Esse panorama arrebatador inseriu a grife Antunes Filho entre os maiores nomes da alta-costura teatral no mundo.
Antunes Filho mora na filosofia. Não faz teatro para agradar, costuma repetir. Suas farpas atingem os mais desavisados, transformando-o no mais contundente provocador profissional em sua área. Suas declarações, assim como suas montagens, sempre causam polêmicas. Na seleção das fotos para essa edição, ao lado de cada imagem emblemática foi colocado um apontamento incisivo de Antunes Filho, macerado no repensar diário de um espírito sempre em evolução.
‘‘O Palco de Antunes’’, fotos de Emidio Luisi, lançado pela editora Fotograma. (R$ 30,00)O história teatral de Antunes Filho é resgatada numa exposição de fotos e num livro que chega às lojas esta semana
ReproduçãoAntunes FilhoReproduçãoReproduçãoMacunaíma, 1978ReproduçãoRomeu e Julieta, 1984Paraíso Zona Norte, 1991ReproduçãoTrono de Sangue, Macbeth, 1992Fragmentos Troianos, 1999