Ele nasceu em Nova Orleans, em 1884, com o nome de Alonzo Johnson, numa família de 13 filhos, dos quais, em 1915, a maioria já havia morrido da gripe espanhola, só sobrando Lonnie e um irmão mais velho. A música era um consolo. Lonnie Johnson aprendeu a tocar violão e violino; o irmão mais velho tocava violão, violino, banjo e piano. Como não causaram nenhuma impressão na cidade, resolveram pegar a estrada. De 1917 a 1919 Lonnie participou de um espetáculo musical em Londres, começou a tocar com orquestras, primeiro num barco a vapor do Mississipi, o St. Paul, depois em St, Louis, onde se instalou com o irmão. De repente, a música deixou de ser um bom negócio e Lonnie começou a trabalhar numa fábrica de pneus no Illinois, depois achou emprego numa fundição de East St. Louis e se casou.
No outono de 1925, uma competição de blues sacudiu o Teatro Booker T. Washington, em St. Louis, durante 18 semanas, e o vencedor foi Lonnie Johnson. Os olheiros das gravadoras estavam em cima desse concurso e, em uma semana, ele foi contratado pela Okeh e gravou seu primeiro disco.
Lonnie tinha um diferencial em relação aos demais cantores de blues, sua técnica do violão era muito sofisticada, com toques de jazz, não era à toa que nascera em Nova Orleans. Apesar desta sofisticação, ele falava de temas que tocavam fundo na população do Sul: só sobre inundações, escreveu oito blues.
Lonnie gravou ao lado de Louis Armstrong, com a grande orquestra de Duke Ellington, e como se não bastasse, viajou com Bessie Smith em 1929, na turnê do espetáculo The Midnight Steppers. Também teve seu próprio programa de rádio em Nova Iorque. Gravou 125 canções com os mesmos acordes, e com a Depressão, a vida de Lonnie passou a copiar as letras de seus blues.
Em 1945, cedeu à nova moda e aderiu à guitarra elétrica, mas muitos acham que foi aí que perdeu o seu estilo. Em 1952, viajou até a Inglaterra para uma série de concertos. A redescoberta do folk e do blues na virada dos anos 50/60 o trouxe de novo à tona. Em 1960, promoveram um reencontro de Lonnie Johnson e Duke Ellington no Tow Hall de Nova Iorque.
Depois de centenas de gravações, Lonnie Johnson foi morrer em Toronto, no Canadá, 1970. Pouco antes, em uma conversa com a jornalista de jazz Valerie Wilmer, falou: ''Canto os blues da cidade. Meu estilo musical nada tem a ver com a região onde nasci. Saí de Nova Orleans e morei em St. Louis, Cleveland, Chicago, Nova Yorque, Cincinnati e Filadélfia. Minha música, na verdade, veio do fundo da minha alma''.
Kiko Jozzolino é guitarrista de blues e colaborador da Folha.
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