‘‘Acredito piamente que a guitarra tem uma alma, uma força simbólica, é como o crucifixo ou a cruz para o cristão.’’Celso Blues Boy
  O Brasil possui uma sólida cena de blues, não só nos grandes centros, como São Paulo, Rio e Porto Alegre. Ele tornou-se categoricamente rota de grandes shows dos bluesmen americanos a partir da década de 80, e sumidades como Buddy Guy, B.B. King, Magig Slim, Albert Collins, Alberta Hunter, Junior Wells, Eric Clapton, Carey Bell, Hubert Sunlim e a cativante Big Time Sarah entre outros. Eles contribuíram muito para a divulgação do estilo no país.
  Hoje em dia, podemos dispor de vários e importantes festivais de blues, bares temáticos, selos, sites, revistas e publicações especializadas para divulgação do blues brasileiro. Falando em blues, é impossível deixar de citar André Christovam, que ao lado de Nuno Mindelis representam o Brasil em grande estilo. Ambos já estiveram aqui em Londrina, André Christovam tocou no extinto Rock’n’Blues no ano passado, e Nuno já alguns anos, teve uma experiência não muito boa tocando no Club Canadá para uma platéia que na maioria mal sabia a importância do bluesmen.
  A grande estrela do blues nacional é o paulista André Christovam, um caso à parte, ele é o mais respeitado bluesmem no exterior, já tocou ao lado de importantes músicos do porte de Albert Collins, Santana, Buddy Guy, Magic Slim, entre vários outros.
  O Bourbon Street (um dos principais casas notunas de blues e Jazz de São Paulo), em 1993, na noite de sua inauguração não fez por menos, trouxe o lendário B.B. King para tocar e foi André Christovam que fez o contato com ele para trazê-lo ao Brasil. Lá, até hoje, dentro de uma redoma de vidro está uma das guitarras ‘‘Lucille’’ de B.B. King.
  A história de André é envolvida em misticismo, de família espírita ele relatou em uma de suas entrevistas: ‘‘Eu tinha 14 anos e queria uma guitarra. Durante o sono vi um clarão que falava. E a voz dizia para eu escolher entre a garota e a guitarra - as duas opções eram o meu sonho. Eu vacilei, e abracei a moça. Esperei um segundo e deixei a garota de lado e me interessei pela guitarra. Posso dar uma olhadinha? Perguntou ele à voz. Era só uma olhadinha, mas ele não conseguiu desgrudar mais daquelas cordas. No dia seguinte, avisou ao pai: ‘Estou pirando. Sonhei de novo com a guitarra’. E o velho não resistiu ao apelo’’.
  Outra passagem meio do além é que aos 20 anos, André perde o pai, ele vende a casa que herdou e parte para os Estados Unidos para estudar no GIT (Guitar Institute of Tecnology), de Los Angeles, onde conheceu o baixista Dan Duran (ex-Aretha Franklin), que torna-se o seu guru. Todo dia André ia ouvir discos de velhos bluesmen e seu guru cobrava o dever de casa no dia seguinte, obrigando André a tocar certas passagens. Duran tinha uma loja de guitarras antigas onde André costumava passar o dia inteiro. Foi lá que topou com o bluesman Albert Collins e se tornou seu ‘‘roldie’’, fez amizade com Buddu Guy e quando este esteve no Brasil foi André quem lhe emprestou o equipamento para tocar. Em retribuição, Buddy o convidou a apresentar-se em sua casa de blues em Chicago, Legend’s Bar. Em 74 André tinha formado o power trio Fickle Pickle, rodou o mundo (morou em Los Angeles, Nova Iorque, Lisboa, Paris e Londres) e voltou ao Brasil em 1985, formando o Heróis da Resistência com Kid Vinil.
  Em 89 André mostrou que era um dos raros bluesmen capazes de traduzir para o português o espírito do blues, no LP Mandinga. Em 90 lança outro álbum ‘‘A Touch of Glass’’, em 91 para resolver um bloqueio criativo viajou as fontes, foi gravar no lendário estúdio Chess em Chicago, lar de gênios como Willie Dixon, Muddy, Waters, Howlin’ Wollf e Chuck Berry, depois visitado pelas estrelas do rock britânico Animals, Yarbirds e Stones. André foi buscar seus músicos no Legend’s Bar de Buddy Guy e convocou, entre outros, o veterano Andrew Odom, batizando o álbum de ‘‘The 2120 Sessions’’. Também lançou o álbum ‘‘Catharis’’ em 97 muito bem elogiado pela critica especializada.
  No final do ano passado ele lançou o álbum ‘‘Banzo’’ onde traduz em grande estilo a sua maturidade musical, mostrando que está sempre na frente criando vertentes do blues sem perder o seu jeito bluesy de ser. André é uma lenda viva do blues brasileiro.

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