Janis Joplin teve uma carreira apaixonada e rápida, interrompida por sua morte aos 27 anos. Nascida no dia 19 de janeiro de 1943, em Port Arhur, Texas, cresceu ouvindo Bessie Smith e Leadbelly, começando a cantar country e blues na década de 60.
Foi por volta de 1966 que tornou-se vocalista de uma banda, Big Brother and the Holding Company, formada por Sam Andrew e James Gurley comandando as guitarras, Pete Albin no baixo e David Getz na bateria. A banda assinou um contrato com a Mainstream Records.
No festival de Monterrey de 67 a atuação de Janis Joplin contagiou a platéia, principalmente por sua versão de ''Summer Time''. Além do enorme sucesso, essa apresentação rendeu ainda a entrada numa gravadora maior, a Columbia Records.
A crítica também ficou impressionada com aquela voz rouca e a performance sensual da moça, que cantava blues como nenhuma cantora branca havia feito até então. No ano seguinte a banda lançou o álbum ''Cheap Thrills'', que foi um recorde de vendas, vendeu mais de um milhão de cópias no primeiro mês. A rapidez com que ficou famosa talvez tenha sido um tanto violenta para uma personalidade tão instável. Janis passava da euforia ao desespero, bebia demais e usava heroína. Chegou a ser processada por dizer palavrões em um de seus shows.
Em 1970 veio o LP ''Pearl'' (que era seu apelido entre os amigos). Dias depois das gravações, Janis foi encontrada morta, num quarto de hotel em Hollywood, devido a uma overdose de heroína. ''Pearl'' saiu com duas faixas a menos que o previsto, foram lançados vários álbuns póstumos (coletâneas) e em 1973 foi gravado um documentário, intitulado simplesmente ''Janis''.
Em 2003, ano em que Janis Joplin completaria 60 anos, chega às lojas a coletânea ''Essential Janis Joplin'' e estréia o musical ''Love, Janis'', supervisionado pela irmã Laura Joplin.
No verão de 1970, no auge da ditadura, praticamente desconhecida no Brasil ela desembarca no Rio de Janeiro, para se divertir no carnaval, tomar sol e se afastar da heroína, não deu muito certo. Bebeu como uma louca, transou na praia, cantou em um inferninho carioca e quase foi pra cadeia. Foi também para Bahia onde pirou mais ainda na paradisíaca praia de Arembepe.
Em muitas biografias, seu estilo de vida é colocado como mais importante que sua música. Mas não é bem assim. O blues jamais seria o mesmo depois do aparecimento de Janis, até pelo fato dela chamar atenção da classe média branca americana para esse estilo.

Kiko Jozzolino é guitarrista de blues e colaborador da Folha.
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