2001 - Uma odisséia bem próxima
Arquivo FolhaPaulo Biscaia, diretor da Cinemateca: Pela primeira vez a ficção não foi tratada de uma forma tola2001 - Uma odisséia bem próxima
Lançado há mais de 30 anos, o filme 2001 está sendo exibido na Cinemateca e desperta curiosidade pela proximidade da data futura
Simone Mattos
Pela espantosa perfeição de seus efeitos especiais, o filme 2001 - Uma Odisséia no Espaço, uma obra-prima realizada pelo cineasta Stanley Kubrick, em 1968, revolucionou o gênero da ficção científica. Mais de três décadas depois, a pouco mais de um ano do novo milênio, o filme pode ser revisto pelos curitibanos numa tela de cinema. Desta vez, na Cinemateca de Curitiba.
O longa-metragem; que narra uma expedição à Júpiter, abordando a origem e o futuro da humanidade; foi um ponto de mudança na ficção científica, na opinião do diretor da Cinemateca, Paulo Biscaia Filho. Pela primeira vez, a ficção científica não foi tratada de uma forma tola, como uma bobagem, afirma.
A qualidade dos efeitos foi muito além do que havia sido feito até ali. Outro diferencial é que o filme de ficção não apresentou ação. Houve toda uma preocupação meta-linguística, o que tornou o filme inesquecível, diz ele.
Arquivo FolhaO filme 2001 marcou o futuro dos filmes de ficção e é um dos prediletos do diretor do Museu da Imagem e dos Som, Chico NogueiraA retratação fiel do ano 2001, em sua opinião, foi o de menos. Mesmo assim, alguns detalhes mostrados por Stanley Kubrick se tornaram realidade, como a existência de mini-telas de cinema nas cadeiras de avião, o vídeo-fone e o pagamento com cartão eletrônico. Acho que a intenção não era ser profeta de um ano específico, mas sim falar de algo além, que poderia acontecer no ano 2001, 2020 ou 2080, afirma.
O filme silencioso e revelador encantou muita gente em todo o mundo, no final dos anos 60, embora tenha sido combatido pela crítica americana da época, que chamou Stanley Kubrick de pretensioso.
Entre o público que vibrou com o lançamento do filme estava o cineasta Chico Nogueira, hoje diretor do Museu da Imagem e do Som. Assisti ao filme em 1969, no antigo Cine Vitória, conta. A fita foi muitas vezes revista depois disto. Atualmente, o cineasta mantém em casa uma cópia, em vídeo-laser.
Ele classifica o filme como um dos mais marcantes da minha vida. A mistura entre filosofia e ficção, arte e realidade científica, convenceu. Para ele, a viagem espacial retratada por Stanley Kubrick é fascinante e representa também um pouco do psicodelismo do final dos anos 60. O mais forte, entretanto, seria a busca do homem por novos caminhos. Isto independe do ano, será sempre atual, acredita Nogueira.
O cineasta Guido Viaro Neto, que nasceu no ano em que 2001 - Uma Odisséia no Espaço foi lançado, assistiu ao filme pela primeira vez há dez anos, na televisão. Ele é maravilhoso, resume.
Viaro comenta que poucas pessoas assistiram a uma outra película, Solaris, realizada em 1972 pelo cineasta Andrei Tarkovsky. Foi uma resposta russa, que acabou superando o filme de Kubrick, explica. Ele afirma que o 2001... foi uma forte influência em sua infância e de toda a sua geração. Imaginávamos que o cotidiano do ano 2000 seria uma ficção científica, com naves no céu, explica.
O filme de Stanley Kubrick também influenciou a nova produção de Guido Viaro Neto, Maya, que será rodado no próximo mês. Me inspirei em cenas de 2001 - Uma Odisséia no Espaço para falar sobre as ilusões da vida, conta.
2001 Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, está em cartaz na Cinemateca de Curitiba, às 18h e 20h45. Os ingressos custam R$ 4,00.





