20 anos sem Maria Callas
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segunda-feira, 15 de setembro de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
ReproduçãoMaria Callas resgatou do esquecimento óperas que ninguém mais ousava cantarHá 20 anos, no dia 16 de setembro, morria Maria Callas, uma das maiores cantoras líricas do mundo. Sofia Cecilia Anna Maria Kalogeropoulos, que se tornaria neste século a diva da ópera, nasceu em 2 de dezembro de 1923, em Nova York, filha de imigrantes gregos. Em 1937, a mãe a levou para a Grécia, onde teve o primeiro contato com a música no Conservatório de Atenas. Um ano depois, a cantora interpretava seu primeiro papel, o de Santuzza, em Cavalleiria Rusticana. Mas foi aos 17 anos, em 1940, que Maria Callas ganhou papéis mais importantes. Foi na Ópera de Atenas, em Suor Angelica, Tosca e Fidelio.
No entanto, um passo importante foi dado por ela em 1947, quando resolveu ir morar com o pai em Nova York. Logo veio o convite para trabalhar em La Gioconda, em Verona. Sua participação acabou chamando a atenção do maestro Tullio Serafin. Foi ele quem a convidou para interpretar Turandot, Aída, A Força do Destino e Norma. Em 1949, ela se casou com o empresário Giovanni Battista Meneghini. A cantora lírica era adorada por milhares de fãs em todo o mundo. E alvo frequente da imprensa, que publicava tudo o que conseguia descobrir a respeito dela, desde seus regimes para emagrecer até seus bichos de estimação. Ganhava constantemente manchetes e capas nas principais revistas e jornais.
Entretanto, o sucesso que conquistou ainda jovem começou a ser interrompido em 1957, aos 34 anos. Excessos musicais, emocionais e amorosos resultaram na decadência vocal da cantora. Depressão e consumo exagerado de tranquilizantes foram os sintomas de quem não lidou muito bem com o que sinalizava ser o fim de sua carreira artística. Em 1959, ela se casa novamente, desta vez com o armador grego Aristóteles Onassis. O casamento durou apenas nove anos. Onassis a deixou para casar-se com Jacqueline (ex-Kennedy). A soprano foi revolucionária ao resgatar do esquecimento óperas que ninguém mais ousava cantar. E muitos de seus papéis continuam servindo como referência para cantores e ouvintes da atualidade.
Absolutamente distante do mundo e tendo de conviver com o declínio profissional cada vez mais acentuado, Maria Callas morreu, aos poucos, durante anos. A morte real da cantora aconteceu em 1977, vitimada por um ataque cardíaco. Isso é o que consta do atestado de óbito. Seu ex-marido sempre desmentiu essa versão da história, dizendo que Maria Callas teria, na verdade, se suicidado.


