20 ANOS SEM BOB MARLEY
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Jander Ramon Agência Estado 
Robert Nesta Marley, nascido em 6 de maio de 1945, tinha todo um cenário armado para ser mais um desconhecido jamaicano enfiado em uma favela qualquer, como os milhares que habitam Trench Town, em Kingston. Mas sua obstinação fez com que se tornasse o maior superastro do terceiro mundo em todos os tempos. Sua música crítica e revolucionária ousou romper todas as fronteiras do planeta. Amanhã, quando se completam 20 anos de sua morte, todos ainda perceberão a enorme lacuna deixada pelo ídolo do reggae.
Bob Marley, como é conhecido, não foi só um gênio musical, profeta rastafári e excelente compositor. A ele podemos creditar a comprovação de que desigualdades de classes, preconceitos de cor de opinião, não são páreos para um abnegado lutador, que sempre acreditou em seus sonhos.
Fruto do amor entre uma camponesa negra, Cedella Booker, e um oficial inglês branco, Norwall Marley abandonou a esposa no dia seguinte ao casamento -, o jovem Bob desde cedo viu seu futuro à mercê da própria sorte. E o destino não o deixou órfão duas vezes.
Aos 14 anos, por ordem da mãe, Robert foi trabalhar como aprendiz de soldador. A mística entrava em cena mais uma vez. Após um acidente, ele decide abandonar a carreira de soldador disposto a virar cantor.
Simples como a vida deve ser, o menino entrou na lanchonete do chinês Leslie Kong, uma espécie de caça talentos local, e apresentou aquela que seria sua primeira música: Judge Not. O compacto foi gravado para tocar nas jukeboxes locais, mas comercialmente foi uma produção inexistente.
Empenhado em se tornar cantor, aos 16 anos Robert monta os Wailing Wailers, tendo ao seu lado Bunny (que posteriormente se tornaria Bunny Wailer), o colega Peter Mackintosh (futuro Tosh), Beverly Kelso e Junior Braithwaite , os dois últimos deixariam a banda em um curto espaço de tempo. Conseguiram o apoio do produtor local Coxsone Dodd, proprietário da gravadora Studio One.
Com Simmer Down, música carregada de linguagens dos guetos, explodiram na era do ska, ritmo precursor do reggae, nascido na década de 60 da mistura do blues, R&B, mento e calipso. Após outros lançamentos, Marley abandona tudo para morar nos Estados Unidos, com sua mãe, com o objetivo de ganhar dinheiro e fundar a sua própria gravadora na Jamaica. Antes, porém, casa-se com Rita, ex-enfermeira e vocalista da banda Soulettes.
A carreira dos Wailers e, no início da década de 70, após ser passado para trás em Londres por um produtor, entrou com uma mão na frente e outra atrás no estúdio da Island Records. O anglo-jamaicano Chris Blackwell deu um voto de confiança no conjunto e decidiu financiar a produção de um disco.
Catch a Fire saiu em 1972 e mostrava ao mundo o que era o reggae jamaicano. O som era hipnotizante, com uma batida quebrada da bateria coberta por um baixo assustador, os riffs alucinantes da guitarra derrubavam todos os paradigmas do rock. O disco estourou na Europa, mas os norte-americanos vacilaram num primeiro momento, deixando o passar anônimo.
O novo continente passou a conhecer e admirar o trabalho de Marley e dos Wailers com o LP Burning, de 1973. Com ele, aquele jamaicano com os cabelos de serpentes, rastafári convicto, capaz de enviar uma mensagem que tocasse os corações de todos os oprimidos, apareceu para todos.
1976, Marley sofre uma emboscada em sua residência. Quando pistoleiros invadiram sua casa para matar o cantor, Rita levou um tiro de raspão na cabeça e o empresário Don Taylor, baleado, quase morreu. Duas razões teriam motivado o atentado: a primeira era a intensa disputa política vivida na ilha naquele ano, por conta das eleições para primeiro-ministro. Uma outra razão seria porque um amigo do cantor havia se envolvido em uma fraude no jockey club da ilha utilizando o nome do cantor, sem o conhecimento de Bob. Um grupo prejudicado pela ação deste amigo de Marley passou a cobrar do cantor a quantia perdida. Um dia, por causa da falta de pagamento, os pistoleiros teriam invadido a residência para matar o reggaeman.
Marley sobreviveu a esse atentado e sua música ganhou mais força. Ao lançar Survival, em 1979, ele compôs e gravou aquele que seria o hino de independência do Zimbabwe, país do continente africano. Depois, em 1980, ele gravaria seu último disco: Uprising, que trouxe clássicos como Coming from the cold e Could you be loved.
Por não tratar no passado de dois machucados em seu pé, efetuados em momentos diferentes provocado após pisar em um prego e outro em uma disputa numa partida de futebol, Bob teve um início de câncer.
Orientado pelos médicos a amputar um dos dedos, o rasta se recusou. Com isso, o câncer se alastrou por todo o corpo. Pouco antes do meio-dia de 11 de maio de 1981, morria o maior ícone da história do reggae.


