17º FESTIVAL DE CURITIBA - Múltiplas culturas sobre o palco
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quarta-feira, 19 de março de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
Quatro espetáculos abrem hoje a Mostra de Teatro Contemporâneo do Festival de Curitiba. Entre eles está ''Júpiter: Conquista da Galáxia'', apresentação internacional, da Cia. Condors, do Japão. Muito populares em seu país, o grupo de teatro-dança, composto só por homens, satiriza a cultura pop japonesa em um espetáculo elétrico e divertido. ''As manifestações culturais que mostramos na peça são bem contemporâneas, típicas do Japão atual'', comenta o ator e cenógrafo Kojiro Yamamoto.
No entanto, a companhia tem o costume de agregar em suas apresentações elementos das cidades por onde passam. Em São Paulo, por exemplo, foram citados durante o espetáculo o futebol local, nomes de lugares conhecidos da cidade, falas em português, entre outros exemplos. ''Gravamos algumas cenas de Curitiba em vídeo, que serão projetadas no espetáculo'', revela o diretor Rhyohei Kondo.
Mesmo formado por pais de família, o grupo é jovem. Apresenta-se com figurino gakuran, o uniforme escolar típico do Japão, como referência à energia e rebeldia típicas da juventude. O humor é uma constante do trabalho da companhia. ''Muitos o chamam de Monty Phyton do Japão, mas no meu ponto de vista, acho eles mais próximos do grupo Parlapatões'', comenta Celso Cury, que acompanha o grupo no Brasil. A vinda da Cia. Condors ao Festival de Curitiba faz parte das comemorações de 100 anos da imigração japonesa.
Encenado pela primeira vez em 2000, o monólogo ''Três Mulheres e Aparecida'', do Theatro XVIII, de Salvador, chega agora a Curitiba. Na época de sua estréia, o Brasil comemorava os 500 anos do descobrimento. ''O espetáculo quer contar que também existiam mulheres na construção do país, tanto no contexto histórico, quanto político'', salienta a dramaturga Aninha Franco.
A veterana atriz Rita Assemany dá voz a três mulheres de etnias diferentes para contar nossa história a partir de uma ótica feminina: uma índia tupinambá, uma escrava angolana e uma portuguesa que vem ao Brasil para trabalhar como prostituta. ''É um espetáculo rico do ponto de vista social e também em sua forma'', comenta a atriz. ''Não há só teatro de besterol em Salvador, e este espetáculo é um exemplo. Ele é mágico, lírico e delicado, difícil de definir entre a comédia e o drama. Também tem uma parte musical forte e bem trabalhada'', conclui.


