Dois espetáculos estréiam hoje dentro da Mostra de Teatro Contemporâneo. A comédia carioca ''Farsa'' conta com nomes conhecidos do grande público, como Cláudia Ohana, Marcos Breda e Bianca Byington, provável motivo que fez com que seus ingressos se esgotassem antes do festival começar. Devido à grande procura, será feita uma sessão extra amanhã, às 22h30, no Teatro da Reitoria.
O espetáculo traz quatro histórias baseadas em textos de grandes autores (Cervantes, Tchekhov, Molière e Martins Pena) sobre o tema-título. ''Estreamos em agosto em Porto Alegre, para depois sairmos em turnê pelo Rio Grande do Sul, cidades da Região Centro-Oeste e Rio de Janeiro'', diz a diretora de produção Maria Helena Alvarez. ''Interrompemos nossa turnê para participar do Festival de Curitiba devido a sua importância e visibilidade. O festival é uma vitrine. Profissionais cênicos do País todo estão lá, verão o espetáculo, e isso possibilita levá-lo para outras cidades'', complementa.
Em estréia nacional, ''Desconhecidos'' traz a Companhia Satélite, de São Paulo, ao Teatro do Sesc da Esquina. Definido pelo próprio grupo como um suspense metateatral, esta montagem mostra, no primeiro ato, um casal de atores recém-casados ensaiando um espetáculo que estão prestes a estrear. Um forte desentendimento é desencadeado entre os dois, colocando em risco o casamento e o ensaio do espetáculo.
No segundo ato, inicia-se uma peça dentro da peça, centrada em um serial killer. ''O personagem é inspirado em criminosos como o maníaco do parque e Chico Picadinho. Fizemos uma pesquisa sobre o assunto com especialistas em criminologia'', revela Dionisio Neto, ator e dramaturgo, que já esteve na mostra principal 11 anos atrás. ''Ele é um assassino de extrema direita, que quer exterminar os serviçais do mundo. Suas vítimas são pessoas de uniforme, entre elas uma aeromoça'', acrescenta.
Dois espetáculos que estrearam ontem têm suas últimas apresentações hoje. ''Aqueles Dois'', um épico dramático criado a partir do conto homônimo de Caio Fernando Abreu, descreve a rotina de uma repartição pública, destacando a cumplicidade de dois novos funcionários, o que gera desconforto nos demais colegas. No Teatro do Paiol.
Depois de uma bem comentada temporada em São Paulo, o grupo paulistano Satyros (que já teve uma sede em Curitiba por mais de dez anos) está encenando no Guairinha sua releitura contemporânea de ''Vestido de Noiva'', escrito por Nelson Rodrigues. ''Esta concepção não tem nada a ver com o Rio de Janeiro'', adianta o diretor Rodolfo Garcia Vásquez. ''Fizemos uma quebra em três planos (alucinação, realidade e memória) e utilizamos recursos como vídeos e uma trilha sonora pop contemporânea''.
O grupo Satyros também está coordenando, há quase um mês, o projeto Residência das Artes, uma novidade do festival, que tem por objetivo fazer uma intervenção teatral em uma comunidade carente da periferia de Curitiba. O resultado é o espetáculo ''A Fauna'', que mostra o cotidiano da Vila Verde, com suas alegrias e tragédias. As apresentações ocorrem diariamente às 18h30 e 21h30 na própria comunidade, até domingo.

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