Cena de Medusa de Rayban: espetáculo montado em 96 foi indicado para o Prêmio Shell-97O grupo está fixado atualmente em São Paulo. Mas as comemorações dos 15 anos de existência só poderiam acontecer em Londrina. E por motivos mais que naturais e lógicos: foi aqui que o Cemitério de Automóveis surgiu, foi aplaudido, criticado, compreendido, esnobado por alguns, enfim, nasceu e sobreviveu grande parte de seu tempo. E para marcar a data, os integrantes do grupo prepararam uma verdadeira maratona cultural que começa neste final de semana com a apresentação do espetáculo ‘‘Medusa de Rayban’’.
A peça, escrita por Mário Bortolotto, mentor do grupo, volta ao palco do Teatro Zaqueu de Melo com algumas modificações cênicas. Por exemplo: na estréia, acontecida em 96, havia apenas quatro atores em cena. Na atual montagem, são cinco - inclusive com presença feminina. São eles: Everton Bortotti, Pedro Roberto Fiori, Joeli Pimentel, Fernanda D’Umbra e Mário Bortolotto. Ao todo, 1h10 de espetáculo.

Arquivo FolhaMário Bortolotto, o ‘‘mentor’’ do Cemitério de Automóveis: ‘‘O que a gente faz é muito verdadeiro’’‘‘Medusa de Rayban’’ fica em cartaz hoje, amanhã e depois, sempre às 21 horas; e volta no final da próxima semana, no mesmo horário. O espetáculo retorna aos palcos londrinenses com o aval positivo de alguns críticos respeitados como Alberto Gusik (Jornal da Tarde) e Maria Lúcia Pereira. A montagem está em cartaz em São Paulo, desde março, e vem arrebanhando um bom público.
Prêmio ShellA repercussão de ‘‘Medusa de Rayban’’ é tanta que Mário Bortolotto foi indicado ao prêmio Shell-97 como melhor autor e Everton Bortotti para o Mambembe na categoria ator coadjuvante. Além da encenação, o grupo programou para hoje, às 22 horas, no Saguão da Biblioteca Pública, o lançamento e doação (para a Secretaria Municipal de Cultura) do livro ‘‘Seis Peças’’, de Mário Bortolotto.
E também de hoje até o dia 17, no saguão do Teatro Zaqueu de Melo, haverá a exposição de fotos do espetáculo ‘‘Medusa de Rayban’’ e do curta-metragem ‘‘O Vagabundo Sagrado’’. Para encerrar o ciclo de comemorações, domingo e também no próximo dia 17 haverá exibição do curta-metragam ‘‘O Vagabundo Sagrado’’, de Joeli Pimentel.
Trajetória - O grupo Cemitério de Automóveis surgiu em 82 com o nome ‘‘Chiclete com Banana’’ - uma referência à tira do cartunista Angeli e que permaneceu até 87 - tendo à frente Mário Bortolotto, Edson Monteiro da Rocha e Lázaro Câmara. Os três vinham de experiência teatral anterior feito com um grupo, vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, dirigido por Antônio Saperas.
De lá para cá foram 20 montagens. A primeira - ‘‘Você viu uma azeitona por a풒 - foi encenada no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina. Durante esse tempo todo, os integrantes do grupo carregaram a pecha - e não fizeram questão de dissipá-la - de voltarem o teatro ao lado underground. ‘‘Era por causa dos personagens que criava. Eu sempre gostei desse universo underground e as demais pessoas do grupo acabavam se identificando’’- explica Mário Bortolotto.
Em 93, Bortolotto e cia. transferiram-se para Curitiba. ‘‘Acho que Londrina dá o que pode dar. No meu caso, a cidade chegou a um limite que não mais me supria e o jeito era ir para uma cidade maior’’- informa. Dois anos de estadia e Curitiba também deu o que tinha que dar. O destino, São Paulo.
Obviamente, Bortolotto se mostra satisfeito com a longevidade artística do grupo. Mas, como admite, nunca parou para pensar em qual seria a importância ou contribuição do Cemitério para o movimento teatral de Londrina. Ele prefere dizer que o grupo se mantém ereto este tempo todo por um motivo muito simples: o gosto, puro e simples, de fazer teatro. ‘‘Nunca pensamos em termos de contribuição... O que a gente faz é muito verdadeiro; talvez seja esse o segredo de permanecermos 15 anos’’- analisa.

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