São Paulo, 03 (AE) - Eles estão fazendo escola em Hollywood, os irmãos Wachowski. Ou você não é do time que considera "Matrix" o máximo? Bem, na verdade o filme não é, mas a idéia de um mundo virtual travestida em efeitos especiais de última geração conquistou o público dos cinemas e do vídeo. A realidade virtual está de volta. Estréia "13.º Andar", direção de Josef Rusnak, com produção de Roland Emmerich.
Esse último é louco por uma ficção científica, como sabem os espectadores de "Stargate" e "Independence Day". Emmerich é o produtor de "13.º Andar". Só para constar, Rusnak foi diretor de segunda unidade de "Godzilla, o maior fiasco da carreira de Emmerich, que ele cometeu baseado no célebre monstro da TV e do cinema japoneses. O filme tem muitos pontos de contato com "Matrix". Logo no começo, um cientista que trabalha num projeto secreto de informática é assassinado. As cenas vão batendo na tela de maneira um tanto aleatória.
O cientista é interpretado por Armin Mueller-Stahl. Antes de morrer, ele é visto em trajes de época, num night club dos anos 30. Acorda sobressaltado no meio da noite, como quem desperta de um pesadelo pavoroso e aí o filme já está no futuro (ou no presente). Morto o cientista, seu assessor (Craig Bierko) é incriminado. É a partir daí que o enigma começa a tomar forma.
Há uma engenhoca que permite às pessoas viver outras existências, por meio de verdadeiros simulacros. Bierko viaja a 1937 em busca de uma mensagem que Mueller-Stahl teria lhe deixado. Encontra o barman interpretado por Vincent DOnofrio. Mas, esperem, DOnofrio é o técnico que monitora as viagens de Bierko na imaginação. Desista de entender. Aproveite a mistura de romance, suspense e ficção científica que o filme proporciona.
No cartaz, há duas frases que soam como advertências. "Questione a realidade" e "Você pode chegar a um lugar que não existe". Justamente, a realidade. Há mais de 2.000 anos, o filósofo grego Platão disse que o mundo real existe somente na nossa imaginação. "13.º Andar radicaliza o postulado de Platão. Há uma série de mundos paralelos. Um mundo virtual abrindo no outro.
O que é real, o que é imaginário? São algumas das perguntas levantadas por "13.º Andar". Tudo isso, o fundo psicológico, a questão de quem é o criador e quem (ou o que) é a criação, tudo veio de um livro, "Simulacron 3, de Daniel F. Galouye, que, durante anos, virou verdadeira obsessão para Michael Baulhaus. O grande diretor de fotografia alemão (dos filmes de Fassbinder) virou no cinema americano o operador preferido de Martin Scorsese. Convencido de que o tema do livro de Galouye não era só fascinante, como poderia originar um grande filme, Baulhaus tentou dirigir o filme ele mesmo.
Nunca conseguiu levar o projeto adiante. Terminou associando-se a Roland Emmerich, que entregou a direção a seu assistente. O resultado está longe de entusiasmar. Fala-se muito em déja vu em "13º Andar". Embora aparentemente novo, o tema também é déja vu. Você já viu, sim. Chamava-se "Matrix e não é preciso ser fã dos Wachowski Brothers para chegar à conclusão de que a ficção científica com Keanu Reeves é mais intrigante. Serviço - 13.º Andar. Suspense. Direção de Josef Rusnak. Com Craig Bierko, Armin Mueller-Stahl, Vincent dOnofrio. Duração: 100 minutos. 14 anos. Distribuição: Columbia TriStar

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