Quando estreou no Festival de Veneza, em 2002, o documentário ''11'09'01'' foi afoitamente acusado de ''anti-americano''. Mais tarde, já distanciado do episódio que o inspirou, o filme pôde ser acolhido com menos histeria e até entusiasmo por parte dos críticos. Produzido na França, o longa será exibido hoje em Londrina numa promoção do Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da UEL.
As sessões ocorrem às 8h30 e às 19h30 na sala 102 do CCH, seguidas de comentários e debates com os professores Rogério Ivano (de manhã) e Alfredo dos Santos Oliva (à noite).
''O objetivo é refletir sobre as dimensões humanas do 11 de setembro, partindo dos diversos pontos-de-vista e sensibilidades registrados no filme'', diz Miguel Arias Neto, diretor do Centro. O documentário é, na verdade, uma coletânea de 11 curtas-metragens rodados por diretores de diferentes nacionalidades. Todos, a convite do produtor francês Alain Brigand, deveriam se inspirar no ataque terrorista às torres gêmeas abordando-o direta ou indiretamente.
Os diretores receberam, cada um, 400 mil euros (cerca de R 1,2 milhão) para realizarem o que quisessem. Uma cláusula do contrato previa que não poderiam comunicar aos demais realizadores o que estavam pretendendo fazer. Cada episódio deveria ter a duração de 11 minutos, 9 segundos e 1 frame (ou 11'09'01).
A tragédia serviu apenas como pretexto para alguns dos realizadores, caso do inglês Ken Loach que em seu curta recapitula o 11 de setembro de 1993, quando um golpe militar depôs Salvador Allende da presidência no Chile. O bósnio Danis Tanovic, por sua vez, lembra-se do massacre em Srebrnica ocorrido em dia 11 de julho de 1995.
Shonei Imamura recorre às memórias japonesas da Segunda Guerra Mundial, e a indiana Mira Nair mostra os problemas das minorias étnicas recriando uma história real sobre um cidadão americano de pais muçulmanos. Mais diretamente associado ao atentado em Nova York, o filme da iraniana Samira Makhmalbaf mostra uma professora de um campo de refugiados afegãos tentando explicar o ataque a um grupo de crianças.
O norte-americano Sean Penn, por sua vez, evoca a vida de um viúvo que morava à sombra das duas torres desabadas: de tão envolvido que está com a perda de sua esposa, mal consegue perceber o que abala o mundo lá fora. O francês Claude Lelouch descreve as reações de vários surdos ao evento, ou que testemunharam o evento relatando um desencontro amoroso na manhã da tragédia.
A africana Idrissa Ouedraogo fala com muito humor de uma turma de garotos que jura ter visto Bin Laden perto deles, e quer capturá-lo para receber uma recompensa e com o dinheiro curar a mãe de um deles que está doente. ''Bin Laden, volte!'', imploram os garotos. Amos Gita‹ (Israel) opta em dar a sua interpretação sobre o papel da mídia em uma informação de significado internacional mostrando dois carros-bomba que teriam explodido em Tel-Aviv na mesma manhã.
Já o mexicano Alejandro González IÀárritu apresenta 11 minutos de preces na escuridão, enquanto o egípcio Youssef Chahine protagoniza seu próprio filme refletindo a perspectiva do Oriente Médio. O longa, enfim, acaba revelando vítimas não de uma, mas de várias tragédias registradas de meados do século 20 ao início do século 21.
Além da exibição na UEL, o 11 de setembro será lembrado na televisão pelo canal pago GNT, que leva ao ar, às 23h30, o polêmico documentário ''Fahrenheit 9 / 11'', de Michael Moore.

SERVIÇO:
- Exibição do documentário ''11'09'01''
Quando- Hoje, às 8h30 e 19h30
Onde- sala 102 do Centro de Ciências Humanas (CCH) na UEL
Quanto- A entrada é franca
- Exibição do documentário ''Fahrenheit 9 / 11'', de Michael Moore
Quando- Hoje, às 23h30, com reprise na próxima segunda-feira (dia 17), à meia-noite
Onde - Canal GNT

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