100 DIAS de realizações e turbulências
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de abril de 2001
Jackeline Seglin De Londrina 
Com o orçamento municipal reduzido e o governo do Estado em cima do muro, Bernardo Pellegrini completa 100 dias à frente da Secretaria de Londrina de Londrina e faz um balanço dos avanços e recuos
Os últimos meses foram de turbulência no meio cultural londrinense. O ano começou com incertezas. Desde janeiro, o cenário vem estampando uma série de situações de risco muitas recorrentes em diversos segmentos, como a renovação do convênio da Funcart, a realização de eventos tradicionais como o Festival Internacional de Londrina Filo e Festival de Música, a publicação do edital da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, a relação com o Governo do Estado e várias outras atividades que esbarram no problema básico da falta de dinheiro.
Para falar deste cenário, a Folha2 entrevistou o secretário Bernardo Pellegrini, que faz um balanço dos 100 dias à frente da Secretaria Municipal da Cultura.
Depois de correr o risco de não serem realizados por falta de verba, os projetos da Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart) parecem estar encaminhados. O convênio que a Ong tinha com a prefeitura poderá ser refeito agora: o projeto que transfere recursos da Secretaria de Obras para a fundação foi aprovado ontem, em segunda votação, na Câmara de Vereadores. Isso é uma demonstração de que a cidade está sensibilizada pela cultura, diz Pellegrini.
O Festival Internacional (Filo) e o Festival de Música são outros dois eventos que todo ano sofrem com a falta de verba, de sensibilidade e apoio por parte de órgãos oficiais. O drama continua o mesmo, enfatiza o secretário. Queremos colocar os dois eventos no orçamento da prefeitura para o ano que vem, evitando assim que em toda época de festival fique essa angústia de saber se o dinheiro vem ou não, anuncia. Este ano, o Filo deverá receber R$ 150 mil da Sercomtel, R$ 100 mil já estão garantidos, o restante está sendo negociado. Já o Governo do Estado ainda não definiu o valor a ser repassado.
Da mesma forma, o Festival de Música que acontece em julho não tem recebido o apoio necessário. O Governo deu calote no evento do ano passado e não repassou a verba. Este ano não sei o que vai acontecer, comenta. A prefeitura deverá repassar R$ 30 mil (verba da Sercomtel). Ambos os eventos também tem projetos aprovados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Na opinião de Pellegrini, a relação do Governo do Estado com Londrina pode sofrer mudanças: Do ponto de vista da conversa, do intercâmbio, está se desenvolvendo um relacionamento melhor. Mas quando o assunto é verba, os velhos problemas persistem: O apoio institucional deixa a gente desanimado. Somos tratados como chatos pedindo dinheiro. Mas somos defensores do interior no Estado. Participamos, junto com a comunidade, da derrubada do veto do governador Jaime Lerner à Lei Estadual de Incentivo à Cultura; estamos atuando junto às outras cidades da região. E nós temos um projeto de inserção social através da cultura. Londrina está na vanguarda cultural do Paraná.
A assembléia do Fórum de Cultura do Paraná que será realizada em Londrina no final do mês, para Pellegrini, é uma amostra da sua avaliação. Esse evento é um reconhecimento do papel que a cultura em Londrina tem na vida do Estado. Estamos mais próximos de Curitiba, estamos discutindo, é um momento novo. Esse é o lado bacana.
E o apoio do município? Para Pellegrini, Londrina vai transformar cultura em política pública. A Cultura está sendo chamada para participar das mudanças. Isso era proposta de campanha do Nedson e está se concretizando.
Por outro lado, a situação financeira da Secretaria de Cultura não é nada confortável. Segundo o secretário, o orçamento foi cortado de R$ 9 milhões no ano passado para R$ 3 milhões este ano. O dinheiro é suficiente para os gastos com estrutura e fomentos básicos. Além disso, estamos cumprindo a meta de economizar 30% em tudo o que gastamos.
Sem recursos para a realização de projetos, o secretário afirma que a Cultura está se virando. Resolvemos o problema da Lei de Incentivo à Cultura de maneira ágil, estabelecendo ao mesmo tempo uma nova relação com os empreendedores através da readequação de custos dos projetos. O Carnaval de Londrina foi outro evento que, na opinião de Pellegrini, teve um resultado positivo apesar da organização em cima da hora. Fizemos e formatamos um novo tipo de evento o Carnaval Instalação, avaliou. Na terça-feira, a Secretaria da Cultura reabre o teatro Zaqueu de Melo, que passou por uma reforma de piso, pintura e poltronas realizada com recursos da iniciativa privada e apoio da comunidade.
Pellegrini também trocou a coordenação da Biblioteca Pública Municipal quebrando um período de 27 anos sob uma mesma direção e vai nomear um funcionário de carreira para dirigir o Museu de Arte de Londrina. Para os dois casos estou formando uma comissão que vai trabalhar em conjunto com a direção e estabelecer metas para os dois próximos anos.
Um dos principais projetos anunciados na campanha do prefeito Nedson e que é vinculado à Cultura ainda não está em funcionamento. Pellegrini anunciou que a coordenação da Rede da Cidadania está articulando o lançamento do projeto para junho. Estamos elegendo pontos do município considerados regiões de risco para trabalhar em ação multidisciplinar integrada com a Bolsa-Escola e Saúde da Família.
A Secretaria está finalizando o planejamento para 2.001 e 2.002 com mais de 50 ações enumeradas. No balanço dos 100 dias, Pellegrini justifica que, mesmo sem dinheiro, a Secretaria da Cultura está articulando e envolvendo a comunidade. As parcerias são um estímulo; são as pessoas se responsabilizando pela cidade, finaliza.


