100 concertos em 17 dias
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quarta-feira, 04 de julho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Não importa se é erudita ou popular, o virtuosismo do 27 Festival de Música de Londrina (FML), que começa hoje e vai até dia 21, representa a valorização da boa música, o que o torna um dos festivais mais importantes do Brasil, atraindo a atenção de 1.100 alunos de todo o País.
Virtuose que o público espera não seja comprometida. A classe artística ainda está ressabiada com a negativa do governo do Estado, que retirou o repasse do Festival Internacional de Londrina (FILO).
Para o FML, o governo Requião prometeu R$ 200 mil e fala em mandar R$ 50 mil - uma história parecida com a do FILO. ''Risco sempre há, mas o FML é um evento permanente do governo estadual, garantido por lei. Não acredito que o governador vai deixar 1.100 alunos sem festival. A nossa situação é diferente do FILO em que o governo é apenas patrocinador, enquanto que no FML é um dos realizadores'', afirmou o diretor artístico do FML, Marco Antônio de Almeida, em entrevista coletiva ontem pela manhã, lembrando que orçamento total previsto era de R$ 800 mil.
A abertura hoje, a partir das 9h30, na Associação Médica de Londrina, com o 13º Simpósio de Educação Musical (SPEM), que discute o tema ''Educação Musical e Políticas Inclusivas'' é uma oportunidade para que a política cultural também ocupe lugar na programação do festival, que pode ficar menor sem o investimento do governo. ''Se o recurso não for liberado, eu terei que tirar a cereja do bolo'', arramatou Almeida.
Na avaliação do secretário municipal de Cultura, Luciano Bitencourt, o FILO e o FML não precisariam ser dependentes do governo. ''Acho que falta por parte do Estado uma política pública de cultura em que tenha a vontade do Estado mediada pela sociedade. Estabelecido isso, o governador não tem como prometer para decidir se faz ou não'', comentou Bitencourt.
O problema político do FML não ofusca o início da programação artística com as homenagens aos 120 anos de Heitor Villa-Lobos, o centenário de Camargo Guarnieri, os 80 anos de Tom Jobim, os 70 anos da morte de Noel Rosa e ainda a Ronaldo Miranda.
A abertura oficial do evento será nos dias 7 e 8, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, com o concerto da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel). No programa, Villa-Lobos e Bachianas Brasileiras 3 e 4 - Suíte Floresta Amazônica e Invocação à Defesa da Pátria, sob a regência do maestro Henrique Vieira.
Entre os destaques da programação artística, que terá 110 eventos nos teatros Ouro Verde, Marista e Zaqueu de Melo, além de outros espaços, o Bar Valentino recebe hoje, às 22 horas, Tom Jobim 80 anos, uma visão instrumental, de Fábio Caramuru (piano) e Pedro Baldanza (contrabaixo).
Amanhã, o dono da festa é Nol - Noel Rosa 70 anos, espetáculo homenagem ao compositor, que será apresentado às 20h30, no Teatro Marista. Transitando entre o erudito e o popular, o festival preparou um encontro com o rei do pagade, Arlindo Cruz, compositor de sambas enredos para várias escolas de samba e que dará uma oficina no evento.


