100 ANOS SEM VERDI
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sábado, 27 de janeiro de 2001
Francelino França De Londrina 
A Itália e o mundo lembram hoje os 100 anos da morte de Giuseppe Verdi, compositor que deixou uma obra lírica testemunha de seu gênio. Verdi nasceu na comuna de Busseto em 1813 e faleceu em Milão em 27 de janeiro de 1901. Filho de uma fiandeira e um modesto dono de estalagem, sua educação musical aconteceu graças à proteção do mercador e músico amador Antonio Barezzi. Verdi compôs para o homem de seu tempo, e como nenhum outro compositor, traduziu a personalidade nacional italiana, fazendo emergir o temperamento, atitudes, as preocupações políticas e sociais.
O compositor italiano escreveu 27 óperas, uma missa de Réquiem e notáveis peças corais. A trilogia popular Rigoletto (1851); Il Trovatore (1853) e La Traviata (1853) constitui o ponto alto de sua obra. As heroínas trágicas e simpáticas (Gilda, Leonora e Violetta) morrem de amor. É o sacrifício dessas mulheres que provoca emoção.
Para a abertura do Canal de Suez foi encomendada a Verdi a ópera Aida (1871), outro grande triunfo. Falstaff (1893) foi composta no limiar dos oitenta anos de idade apresentando um argumento de extrema comicidade, quando se sabe que todas suas óperas de maior popularidade foram trágicas. A humorística fuga final de Falstaff é o resumo da grande sabedoria da arte e da vida de Verdi.
O compositor exigia de seus libretistas concisão, ausência de retórica, fuga do convencional. A ópera de Verdi age sobre os recursos instintivos da emoção graças à simplicidade das suas estruturas musicais, à beleza natural do canto que exprime paixões fortes e verdadeiras.
Quando morreu era considerado o grande homem da música internacional, alcançando posição ilustre graças a seus êxitos artísticos. Sua música foi para os italianos tanto uma fonte de diversão, como um incentivo durante o período de ocupação de parte da Itália pela Áustria. A ópera Nabucco (1841) fez dele o porta-estandarte do chamado Risorgimento. O público o admirava também por ser um homem de origem modesta e que chegou à mais alta posição da vida cultural italiana. Sua generosidade aparecem também em muitas realizações desinteressadas como trabalhos de irrigação, plantações e a construção de um hospital para os camponeses em Villa Nova dArda.
Nos anos que seguiram a seu falecimento, grande parte de sua obra passou por um período de esquecimento. As tendências radicalmente diferentes de Debussy, Moussorgski, Berg e Schoenberg haviam imposto tendências frente às quais a grande ópera verdiana parecia ultrapassada. Nos anos 30 dominavam os ritmos formais, rotundos, as repetições, os momentos líricos com cadência e ornamentos. Na Itália, o romantismo de Verdi havia sido substituído por uma nova estética que tendia a um maior realismo.
Depois de 50 anos de sua morte foi redescoberto. Os estudos sobre sua obra atingiram alto grau de sofisticação. Os estudiosos dissecaram a importância do homem e de cada compasso que ele escreveu. Menos revolucionário que Wagner em termos de linguagem musical, Verdi conseguiu fazer o teatro musical progredir mediante um ecleticismo fecundo. Os dons de melodista, a sutileza psicológica e a espontaneidade de emoções que expressou mediante o canto e a música asseguram sua imortalidade. Caracterizam as óperas de Verdi a fé na capacidade redentora do amor, a simpatia humanitária com os humilhados, o protesto contra a injustiça do mundo e a tragicidade dos grandes finais.


