Com a presença dos produtores Lucy e Luis Carlos Barreto e de alguns atores principais do filme, será oficialmente aberto hoje às 20 horas, no Cine Ritz, o Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba. Em seguida à solenidade de abertura, os convidados assistem à pré-estréia do mais recente trabalho de Bruno Barreto, ‘‘O Que é Isso, Companheiro?’’, que em fevereiro último participou da seleção oficial do Festival de Berlim.
‘‘O Que é Isso, Companheiro?’’ é baseado no livro homônimo do jornalista e deputado federal Fernando Gabeira. O relato do ex-ativista da organização guerrilheira MR-8, uma da mais atuantes contra a ditadura militar que se instalou no Brasil em 1º de abril de 1964, foi adaptado para o cinema por Leopoldo Serran, roteirista que já assinou outras colaborações com Bruno Barreto (‘‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’’). O filme dramatiza um período da vida político-ideológica do país, e especialmente um episódio que despertou a opinião pública nacional, à época anestesiada por uma asfixiante censura a todos os órgão de imprensa. O argumento cobre o período que vai de 20 de julho de 1969, dia em que pela primeira vez o homem pisou na Lua, até 7 de setembro, não por coincidência escolhido pela resistência armada como o dia do desfecho.
Entre os militantes da esquerda radical naquele período estavam estudantes, bancários, jornalistas, intelectuais, artistas. E entre eles, um grupo na clandestinidade da luta armada resolve quebrar a rígida censura articulando e executando um ato terrorista de alto risco e grande eficácia de propaganda contra o governo militar: o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick. O plano, executado com precisão, é
bem-sucedido e tem como objetivo imediato libertar terroristas presos. A lista de presos a serem trocados pelo embaixador é grande, e o destino final pretendido para os exilados é o México. Durante o cativeiro, principalmente nos ultimos dias, a tensão entre sequestrado e sequestradores parece insuportável, agravada pelo impasse que cerca as negociações com os militares. Pressionados pelo governo norte-americano, que funciona como uma espécie de mentor intelectual e gerente da ditadura brasileira, os militares afinal cedem às exigências: um manifesto da luta armada é lido na televisão e os presos políticos são embarcados com destino ao México, onde chegam no dia 7 de setembro como asilados políticos. Charles Elbrick é solto na saída de um clássico do futebol carioca no Maracanã. O fim da ditadura ainda estava longe de acontecer.
Para dar a necessária fidelidade, a produção foi buscar um ator norte-americano para viver o embaixador Charles Elbrick. O excelente Alan Arkin foi o escolhido. Ainda no elenco principal estão Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Luis Fernando Guimarães, Claudia Abreu, Marco Ricca, Selton Mello, Nelson Dantas. Há ainda participações especiais de Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves , Othon Bastos, Lulu Santos, Luis Armando Queiroz e Antonio Pedro, entre outros.

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