Brasil será sede de um encontro mundial contra a globalização. Evento acontece no final do mês em Porto Alegre reunindo representantes de ONGS, sindicalistas, ativistas estudantis, intelectuais e artistas
Você já pode falar de Marx de novo, sem constrangimentos, sem vergonha de se sentir um dinossauro no mundo do capital volátil.
Os anos de perplexidade e letargia, pelo jeito, ficaram para trás. As manifestações de rua, que até pouco tempo pareciam inócuas, passaram a indicar uma nova etapa ruidosa das esquerdas. Os protestos da última temporada em cidades como Seattle e Washington mostraram o inconformismo – especialmente de jovens militantes de ONGs – diante dos efeitos perversos da globalização.
Quem viu ali apenas uma rebeldia difusa, poderá ter uma idéia mais clara do movimento contra o totalitarismo do mercado no final desse mês quando será realizado um mega-encontro no Brasil com a presença de ativistas, políticos, sindicalistas, líderes religiosos, indígenas e de minorias; além de personalidades culturais, acadêmicas e até do esporte.
O Nobel de Literatura José Saramago estará lá. O pensador norte-americano Noam Chomsky confirmou presença. Idem o escritor Eduardo Galeano, o fotógrafo Sebastião Salgado, o frei Leonardo Boff, os músicos de rock Manu Chao e Bruce Springsteen, o Nobel da Paz José Ramos Horta, o quadrinhista inglês Alan Moore, o arquiteto Oscar Niemeyer, o jornalista francês Bernard Cassen (editor do Le Monde Diplomatique), o geógrafo Milton Santos, os cantores e compositores Tom Zé e Lobão e o ex-jogador de futebol Raí.
O ‘‘Fórum Social Mundial’’ será instalado entre os dias 25 e 30 em Porto Alegre (RS) como um contraponto ao ‘‘Fórum Econômico Mundial’’, que se realiza anualmente na cidade suiça de Davos reunindo representantes dos países mais ricos do mundo. Pelas óbvias colorações ideológicas, tanto o governo do Estado quanto a prefeitura de Porto Alegre (ambos petistas), estão colaborando na organização do encontro ao lado de ONGs e diversas associações populares e religiosas.
A programação inclui conferências, oficinas, seminários, shows, filmes, mostras artísticas, intervenções teatrais e lançamento de livros. O alemão Robert Kurz, saudado como o autor marxista mais estimulante da última década, ainda não confirmou sua vinda mas seu novo livro será lançado pela editora Vozes durante o evento junto com novos títulos de Frederic Jameson, José Luis Fiori e Vandana Shiva.
O humor e a acidez ganharão espaço numa exposição envolvendo 40 cartunistas do Brasil e do exterior. Um total de 475 oficinas temáticas foram propostas ao Comitê de Organização incluindo Plano Colômbia, Taxa Tobin ALCA, Transgênicos, impactos da globalização, educação, agricultura familiar, drogas, desenvolvimento sustentável e identidade cultural. Os jovens, principais protagonistas da onda recente de protestos, contam com um Comitê exclusivo na organização. A cultura hip hop, o meio ambiente, as novas tecnologias e o papel da juventude na construção de um novo mundo serão assuntos abordados durante as oficinas.
Prevê-se a presença de mais de 10 mil participantes, com três mil delegados de entidades. A dúvida é se a mídia convencional dará a cobertura merecida ao evento, cuja divulgação está sendo feita pela Internet através do site www.forumsocialmundial.org.br.

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