PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de janeiro de 2001
Claudia Assef Agência Folha 
Até 3 de fevereiro, o Théâtre de LOdéon, um dos mais tradicionais de Paris, terá um espaço reservado à história de um artista brasileiro que fazia verdadeiras obras-primas. Só que com as pernas.
A peça Monsieur Armand Dit Garrincha, escrita pelo dramaturgo francês Serge Valletti, é uma comédia fantasiosa sobre o ponta-direita de pernas tortas que arrancava sorrisos da platéia com seus dribles geniais. No palco da sala Petit Odéon, Garrincha é interpretado pelo ator francês Eric Elmosnino. Durante a Copa do Mundo de 98, o ator leu um artigo sobre Garrincha no jornal de esportes LEquipe que o tocou profundamente. Na mesma hora pensei em transformar aquilo tudo numa peça de teatro, conta o ator.
Para dar vida à idéia, Elmosnino chamou o ator e diretor Patrick Pineau, que aceitou a empreitada. Elmosnino e Pineau procuraram o dramaturgo Serge Valletti para escrever a história. O texto final de Monsieur Armand Dit Garrincha será publicado em livro na França ainda este mês.
No monólogo, Elmosnino encarna um jogador francês, Armand, que atua na equipe de Marselha. Em seus devaneios, monsieur Armand acredita ser Garrincha. Em outras passagens, o jogador francês engata diálogos com o brasileiro.
Eric Elmosnino, mesmo sem bola, mostra virtuosismo na interpretação da dupla Armand-Garrincha. Não tento imitar o Garrincha, diz o ator. Ele está na peça mais como um homenageado, uma vibração e uma inspiração, completa.
Elmosnino não se preocupou em estudar a fundo a vida do jogador. Sei o que qualquer brasileiro sabe sobre a vida dele: seus dribles geniais, sua vida com a Elza Soares e sua história com a bebida, diz. O que fazemos na peça é um delírio.
Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha, nasceu em Pau Grande (RJ) em 28 de outubro de 1933 e morreu em 20 de janeiro de 1983 em decorrência do alcoolismo. Ele defendeu a seleção em 60 partidas. Só perdeu uma, na Copa de 66, em Liverpool, quando o Brasil perdeu da Hungria por 3 x 1.


