São Paulo, 02 (AE) - Quatro décadas depois de sua estréia em Santos - uma única apresentação antes de ficar censurada por 30 anos, um indigesto recorde brasileiro -, "Barrela", de Plínio Marcos, estréia amanhã (03) no Teatro de Arena, em São Paulo, sob direção de Sérgio Ferrara com a presença do autor. "Não sei se é uma promessa ou uma ameaça", diz Plínio.
Uma cela de presídio é o cenário de "Barrela". Ali, seis homens convivem em estado de alerta, se equilibrando numa tensa e constante disputa de poder, um jogo no qual o menor erro pode custar a vida. Tipos comuns nesses locais como Portuga (Antonio Petrin), o preso mais antigo e por isso o mais distante de certos princípios éticos e morais inúteis naquele ambiente ou o xerife da cela, vivido por Jairo Mattos.
"O xerife nesses casos não é necessarimente quem tem mais força física, porém mais esperteza e, claro, mais mortes no lombo", diz Ferrara. O inquieto Tirica (Élcio Nogueira), recém-chegado de um reformatório, é o mais jovem deles. "Na cela é preciso estar sempre fazendo alguma coisa, para não morrer de tédio, mas a energia de Tirica é tão grande que irrita os outros".
Tem ainda o traficante Fumaça (Adão Filho), inteligentemente o mais calado, pois como possuiu mercadoria cobiçada sabe estar sempre correndo risco de vida. Há ainda Bahia (Antonio de Andrade), um nordestino que viu frustrado o sonho da cidade grande, mas guarda resquícios de interiorano e o Louco (Eric Nowinski), um sujeito alienado, possivelmente um artifício de sobrevivência.
O frágil equilíbrio desse universo, controlado por dois carcereiros, se rompe de vez com a chegada de um garoto, preso por um motivo banal. "De início ele se comporta com a arrogância de quem entendeu onde foi parar e quando percebe é tarde demais para evitar o pior". Segundo o diretor, o mais importante é a observação do jogo entre esses homens, a forma como ele se dá.
"Todo mundo sabe que ali vai ocorrer uma tragédia, não há surpresa, o importante é como ela ocorre". Ainda que a peça nada tenha de interativa, o cenário de J.C. Serroni permite que o público tenha a sensação de compartilhar a cela com os personagens. Autor - Embora não tenha acompanhado os ensaios, Plínio Marcos aposta na encenação que, acredita, será vigorosa. "Não gosto de assistir aos ensaios; palpite de autor atrapalha". Já recuperado de um recente problema de saúde, o autor lamenta a atualidade de sua peça. "É uma vergonha", diz. "Os que governam o País estão tornando meus textos clássicos da dramaturgia, estão fazendo de mim um autor imortal". Serviço - "Barrela". Drama de Plínio Marcos. Direção de Sérgio Ferrara. Duração: 50 minutos. Sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas. R$ 20,00. Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Rua Teodoro Baima, 94, tel. 256-9463. Até 28/11. Estréia amanhã (03) para convidados.

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