O velho caipira nunca foi de procurar doutor porque sempre teve uma saúde muito boa, sempre trabalhando duro na roça. Com o passar dos anos foi ficando mais atualizado com as novidades porque ele sempre precisava passear na cidade, ir às festas dos compadres.
Também com a idade chegaram os problemas de saúde ou a falta dela. O caipirão começou a se esquecer de coisas simples, era um esquecimento de minutos passados.
Então o compadre Joaquim convidou o caipira para uma festa na cidade onde teria carne assada e como já estava se acostumando ele logo colocou sua roupa de domingo.
Ao sair de casa viu uns pedaços de carne gorda assada, não resistiu e comeu um pouco, depois lá se foi ele. A coisa desandou quando a barriga soltou e começou a roncar. Como não havia outro jeito ele teve que parar para fazer o básico e saiu do caminho.
Seguiu pelo meio do mato, quando sentiu que estava sozinho tirou o chapéu e seguindo um pouco mais adiante fez suas necessidades. Após terminar o trabalho foi saindo.
Outra vez teve um ataque de esquecimento. Ele pisou em cima do trabalho feito e disse:
- Mas que gente sem educação, fazer isto bem no caminho.
Olhando para frente viu o chapéu:
- Ainda bem que o porco que fez isto esqueceu o chapéu.
Feliz completou:
- Eu sujei a botina, mas ganhei um chapéu que me serviu direitinho.
Depois tomou o caminho de volta para a casa:
- A festa não sei se estava boa, mas a carne estava muito gorda, quando chegar em casa eu tenho uma carne assada muito boa e bem mais magra do que esta que eu comi na cidade.
Para terminar ele pensou com seus miolos de jeca esquecido:
- Eu até esqueci o que eu conversei com o compadre Serafim.

Moral da estória: "Ih! Esqueci!."


Manoel José Rodriguews é assistente administrativo em Alvorada do Sul


Crônica é a coluna da FOLHA2 publicada todas as quartas-feiras. A cada semana o leitor será brindado com diferentes autores. Os textos, com no máximo 30 linhas, devem ser encaminhados com telefone de contato para [email protected].

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