São Paulo, 21 (AE) - O grande desafio do paranaense Ricardo Zonta em Interlagos será voltar para a pista onde sofreu o mais grave acidente da sua carreira.
No ano passado, Zonta perdeu o controle do seu carro na entrada do Laranjinha durante o treino livre de sábado e bateu contra o guard-rail. Acabou sofrendo o rompimento de oito tendões do pé esquedo, ficou de fora de quatro corridas da temporada e, por causa do seu acidente, os carros foram obrigados a colocar uma proteção de kevlar no monocoque para proteger melhor as pernas dos pilotos.
Zonta acredita que não vai levar para a pista nenhum trauma do acidente de 1999. "A curva é lenta e menos desafiadora, não será nenhum problema correr novamente em Interlagos", garante o brasileiro, que na última corrida, na Austrália, conquistou o primeiro ponto de sua carreira. Zonta terminou a prova em sétimo lugar mas foi beneficiado pela desclassificação de Mika Salo, com irregularidades no carro.
O primeiro ponto ele não esquece, mas Zonta ainda quer ganhar uma pontuação na pista, e não no tapetão, como aconteceu há duas semanas.
"Fiquei feliz com o ponto que ganhei na Austrália, mas sem dúvida chegar entre os seis primeiros colocados será uma emoção bem diferente." A associação da BAR com a Honda para esta temporada permitiu a Zonta dispor de um carro melhor. Os resultados começaram a aparecer na primeira corrida: além do sexto lugar do brasileiro, o canadense Jacques Villeneuve, outro piloto da escuderia, terminou em quarto lugar. Zonta mostrou um bom ritmo de prova em Melbourne, e seu desafio agora passa a ser melhorar seu desempenho nos treinos de classificação.
"Eu e meu engenheiro estamos procurando descobrir porque quando se tira combustível e se coloca pneus novos o desempenho do carro não corresponde ao esperado", comenta. Zonta pretende conseguir melhores resultados ao longo do ano para conseguir tratamento igual ao recebido pelo colega Villeneuve, campeão mundial em 1997. "Sou um novato, ainda estou buscando o meu lugar", reconhece.
O brasileiro garante que não vai poder ajudar o amigo Rubens Barrichello se por acaso vir a ficar entre os retardatários e estiver envolvido em uma disputa por posições entre Rubinho e outros pilotos de ponta, como Schumacher e Hakkinen. "Não posso segurar ninguém", avisa.
"Tenho de estar atento à bandeira azul (sinalização que obriga quem está mais lento deixar quem está em melhor colocação na prova passar), caso contrário posso ser desclassificado da corrida." Zonta quer, a todo custo, completar pela primeira vez uma prova de Fórmula 1 no seu país. De preferência, entre os seis primeiros.

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