Zonta e Villeneuve sofrem acidente na Bélgica
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sexta-feira, 27 de agosto de 1999
Por Livio Oricchio 
Spa-Francorchamps, 28 (AE) - Na Fórmula 1 de hoje a segurança dos carros é tal que para um piloto morrer é necessário mesmo que haja uma fatalidade. Essa foi a impressão deixada pelos dois acidentes ocorridos neste sábado na sessão que definiu o grid do GP da Bélgica. Num dos pontos de maior desafio para os pilotos, na famosa curva Eau Rouge, Jacques Villeneuve e Ricardo Zonta perderam o controle de seus carros, estranhamente os dois da equipe BAR, a cerca de 260 km/h, em sexta marcha. O que se viu a seguir impressionou a todos. Derrapagens, rodas bloqueadas, capotagens e rodadas, muitas rodadas, em altíssima velocidade. Por fim, para a surpresa geral
Villeneuve e Zonta deixaram o cockpit, a única estrutura que restou dos carros, por conta própria, correndo, sem nenhuma lesão.
A não ser Villeneuve, que necessitou substituir suas lentes de contato, pois se encheram de poeira, os dois poderiam voltar normalmente a suas atividades. Como havia apenas um carro reserva, Villeneuve ainda tentou melhorar seu tempo. O choque do canadense se deu aos 31 minutos da classificação e o de Zonta aos 49 minutos. Entre um acidente e outro a pista esteve interrompida por nove minutos. O canadense larga em 11º e Zonta em 14º. "Errei", admitiu Villeneuve. "Tentei fazer a Eau Rouge flat (de pé em baixo), mas toquei a zebra interna da curva
projetando-me para fora." O piloto da BAR voltou correndo para o box para sair com o carro reserva.
"Medo? Não, foi a segunda vez que bati lá e não me machuquei." Ano passado ele sofreu acidente semelhante, quando corria na Williams. Villeneuve parece ter herdado a mesma falta de temor de seu pai, Gilles Villeneuve. "Tentaria fazer a Eau Rouge flat de novo de tivesse outra chance." O carro reserva não tinha o mesmo equilíbrio do titular, completamente destruído no acidente. O drama de Ricardo Zonta foi ainda pior, segundo a avaliação do próprio Villeneuve. O brasileiro escapou pelo lado de fora da primeira perna da curva, onde a área de escape é menor. "Honestamente não sei o que aconteceu, a traseira escapou de repente."
Depois de assistir Villeneuve se espatifar na barreira de pneus, Zonta comentou que vinha até mais lento naquele curva. "É estranho, pode ser uma pane do carro, sujeira na pista, não sei." As sucessivas quebras do modelo 01 da BAR o preocupam. "Quando sento no carro fico pensando no que pode se romper dessa vez." "Dois minutos depois do acidente de Zonta, entrei em contato com o motorista do nosso caminhão e ordenei que em vez de seguir viagem para Monza, viesse para Spa", contou hoje Craig Pollock, diretor da BAR. A equipe já havia liberado um caminhão da fábrica, em Brackley, na Inglaterra, para o circuito italiano, onde a partir de quarta-feira quase todos os times treinarão.
Como na sexta-feira Villeneuve já havia destruído um carro, por quebra da suspensão, a BAR não tinha mais chassis disponíveis para participar da prova de hoje. Há quem defenda na F-1 que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) deveria intervir na BAR, em razão da fragilidade de seus carros.


