São Paulo, 04 (AE) - Zinho quebrou o silêncio que a Parmalat estava administrando com enorme dificuldade. O meia preferiu esperar pela conclusão das negociações com seu passe para não prejudicar o Palmeiras, que ainda disputava a Copa Mercosul. Mas hoje, já como integrante do Grêmio, Zinho se sentiu à vontade para dar detalhes de sua saída do antigo clube:
"Fiz o máximo possível para permanecer no Palmeiras. Quem me conhece e esteve envolvido nessa história desde o início sabe o quanto me esforcei para continuar. Mas não posso fazer nada. A opção foi da Parmalat. Eles resolveram que eu não poderia mais ficar. Acho que a Parmalat não está mais com vontade de investir no Palmeiras, porque seu contrato com o clube termina este ano. Eles devem estar de saída. Não existe motivo para não fazer mais investimentos. É a única explicação que posso encontrar."
A decisão de cortar jogadores como Zinho, Paulo Nunes, Júnior Baiano, Cléber e Oséas veio logo após a derrota para o Manchester, na final do Mundial Interclubes. Não necessariamente porque o clube fracassou e seus diretores estivessem desiludidos com suas estrelas. Mas porque a empresa não suportava mais gastar tanto em salários.
"Eles me disseram que 30% da verba destinada para 2000 foi utilizada em 1999. Era o momento de fazer economia. O Paulo Angione disse que não poderia renovar meu contrato, não poderia manter o meu salário e que eu seguisse minha vida. Não me deu nem mesmo a chance de uma negociação."
Zinho sofreu bastante, nos últimos 30 dias, para defender o Palmeiras. Quando alguns jornalistas publicavam que o clube não o desejava mais, Zinho sempre surgia em defesa da Parmalat: "Muitas vezes disseram que eles não me queriam. Publicaram até que eu disse isso. Nunca falei que a Parmalat e o Palmeiras estivessem me dispensando. Mas, no final da história, foi exatamente isso que aconteceu."
Esforço de Lapola - O meia contou apenas com o apoio do diretor de Futebol, Sebastião Lapola. A mando do presidente Mustafá Contursi, Lapola chegou a propor a Angione que aumentasse o teto salarial do Palmeiras (atualmente de R$ 30 mil) para auxiliar a multinacional na manutenção dos jogadores. O Palmeiras paga salários de até R$ 30 mil. A diferença é completada pela Parmalat. No caso de Zinho, que recebia R$ 180 mil, a patrocinadora era obrigada a financiar R$ 150 mil. A proposta não sensibilizou Angione.
"Disseram que cortariam os jogadores que recebessem mais que R$ 30 mil e não renovariam o contrato de ninguém que estivesse para terminar. Cheguei a propor uma redução de R$ 30 mil mensais no meu salário só para ficar no Palmeiras, mas nem isso adiantou. É com muita tristeza que estou deixando o Palmeiras. Minha história neste clube foi muito bonita para terminar dessa maneira, tão apagada."

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