Zico lamenta falta de força para definir jogo
Kaiserslautern - Não era preciso dizer nada. A expressão de Zico demonstrava sem qualquer sombra de dúvida o que ele estava sentindo naquele momento, após uma estréia como treinador em Copa do Mundo que há quatro anos vinha esperando com tanta ansiedade. A derrota de 3 a 1 de virada para a Austrália deixou Zico arrasado. Mas ele não arrumou discursos vazios nem desculpas esfarrapadas. Para ele, o Japão errou muito.
''No Brasil temos o ditado que diz que quem não faz, leva. Não soubemos administrar a vantagem que tivemos, nem tivemos força para definir o jogo no segundo tempo, quando estávamos em melhor situação do que a Austrália, que a partir de determinado momento partiu para o tudo ou nada com três, quatro atacantes. Tivemos vários contra-ataques e não conseguimos definir o jogo'', lamentou.
Apesar de abatido, Zico estava com a aparência tranquila. Ele tem consciência de que a situação do Japão complicou, pois aconteceu exatamente o que ele não esperava. Depender de outros resultados. Apostando tudo numa vitória na primeira partida, a seleção japonesa agora tem uma árdua tarefa pela frente, enfrentar a Croácia dia 18, em Nuremberg, sem poder pensar sequer em empatar. Para hoje, entre Brasil e Croácia, mais do que por qualquer outro motivo ele torce por vitória de uma das seleções. ''O ideal para nós é que um time ganhe porque um empate não pode ser interessante para nós. Pessoalmente, é claro que torço pelo Brasil''.
Decepção controlada aos poucos, durante a entrevista coletiva Zico fez questão elogiar a atuação dos australianos, lembrando que sempre alertou em relação à força do time adversário. Nem mesmo o calor que fez em Kaiserslauern foi motivo para desculpa. ''O calor prejudica os dois times, prejudica o espetáculo. A verdade é que nos desgastamos porque não soubemos aproveitar as chances que criamos e aí tivemos que correr em dobro'', encerrou. (Agência O Globo)





