São Paulo, 17 (AE) - O presidente do Comitê Organizador da Copa de 2006 no Brasil, o ex-jogador Zico, já admite lutar pela Copa de 2010 se o País perder a indicação para o segundo Mundial do milênio. Ao falar sobre a preferência do presidente da Fifa, Joseph Blatter, pelo continente africano, Zico admitiu hoje em São Paulo, após uma inspeção dos representantes da Fifa, que o revezamento seria um bom argumento. "É um critério, porque os africanos nunca organizaram uma Copa", reconheceu o ex-jogador. "Nesse caso, se a áfrica promover o Mundial de 2006, vamos entrar na briga para 2010."
Como os candidatos africanos (áfrica do Sul e Marrocos) podem oferecer problemas políticos ou de infra-estrutura, a CBF ainda aposta em trazer o Mundial. Pelo critério do revezamento, os outros concorrentes (Inglaterra e Alemanha) teriam menor chance, porque a Europa já foi sede da Copa de 1998, realizada na França.
Hoje, os cinco representantes da Fifa prosseguiram no terceiro dia de visita ao País. Na comitiva estão o americano Alan Rothemberg, o canadense Walter Sieber, o árabe Yousef Al Serkal, o australiano Richard Read e o suíço Urs Kneubuhler. Depois de conhecer os estádios Beira-Rio (Porto Alegre) e Joaquim Américo (Curitiba), eles visitaram o Morumbi. Pela manhã, se reuniram com o governador Mário Covas, cinco secretários estaduais e o presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah.
Por norma, os dirigentes não comentam as visitas. Na reunião, porém, perguntaram sobre as condições de segurança, saúde e transportes. "Os nossos estádios de hoje têm mais segurança do que a Champs Elysées (famosa avenida de Paris)", comparou Farah. Já o governador informou que em São Paulo a velocidade média de atendimento a feridos é de cinco minutos. Também observou que, até 2006, o Morumbi deve ser atendido pela Linha 5
que vai ligar a Estação da Luz à Vila Sônia, passando próximo do estádio.
Covas não citou, mas a obra, de 13,4 km, enfrenta dificuldades financeiras. Vai custar US$ 2 bilhões, dos quais US$ 1,2 bilhão tem recursos garantidos por empréstimos. Os outros US$ 800 milhões terão de vir do setor privado. O início está previsto para o próximo ano e o término em 2006, mas nada garante que a obra esteja pronta até a Copa. "Não dei nenhuma garantia, apenas informações", ressalvou Covas.
Entretanto, a maior dificuldade da CBF talvez seja mesmo política. "O Brasil está com poucos caciques", apontou Farah. "Acho que temos 30% ou 40% de chances." A resistência do jogador Pelé é outro obstáculo. "Ele não é contra a Copa, mas contra o Ricardo Teixeira (presidente da CBF)", avaliou Zico. "Aí é um problema de vaidade e não podemos fazer nada." Amanhã os representantes estarão em Brasília, para uma visita ao presidente Fernando Henrique Cardoso, e quinta-feira encerram a visitta no Rio de Janeiro.

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