Rio, 16 (AE) - O primeiro desafio de Zico como técnico do CSKA Moscou, da Rússia, veio antes mesmo de a bola rolar e não tinha nada a ver com a montagem do time. O motivo era outro: a equipe faria a pré-temporada em Israel, país que estava em conflito com os palestinos, e o maior ídolo da história do Flamengo estava preocupado em entrar numa área de risco.
Pensou em pedir para a diretoria mudar o local de treinamento, mas não havia jeito. Já era hábito do clube treinar na região e não seria ele que modificaria isso. Só lhe restou, então, confiar nas palavras dos dirigentes de que nada de ruim aconteceria.
''Já estamos em Caesarea, perto de Tel Aviv. É o quinto ano seguido que o CSKA vem para cá e os diretores garantiram a todos que não teríamos nenhum problema. Parece que eles têm razão'', declarou Zico, em entrevista concedida por e-mail à Agência Estado. ''Estou aqui há poucos dias sem qualquer transtorno''.
Aos 55 anos, Zico trocou recentemente o desconhecido Bunyodkor, do Usbequistão, pelo CSKA e já tem data para estrear. Será no dia 18 de fevereiro, num jogo decisivo entre a equipe russa e o Aston Villa, na Inglaterra. Vale vaga nas oitavas-de-finais da Copa da Uefa, torneio no qual o clube foi campeão em 2005 e quer repetir a dose. ''O objetivo sempre é de conquistar títulos''.
Ex-jogador conhecido pelo fino trato com a bola, encantando o mundo com as camisas do Flamengo, da Udinese e da seleção brasileira, Zico começou a carreira de técnico em 1999, no Kashima Antlers, do Japão. Assumiu em 2002 a seleção japonesa, com a qual disputou a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Depois passou pelo Fenerbahçe, da Turquia, com sucesso. Sagrou-se campeão nacional. ''Espero evoluir sempre''.
Agência Estado - Como foi sua recepção no novo clube?
Zico - Foi muito boa. Encontrei vários brasileiros por aqui, como o Paulo Paixão na preparação física e o Tulio (Menezes) na fisioterapia, além dos jogadores Daniel Carvalho, Vágner Love e Ramon (ex-Atlético Mineiro).
AE - Você já teve contato com a torcida russa?
Zico - Ainda não deu tempo para o contato com os torcedores. Cheguei a Moscou com menos 16 graus de temperatura e conheci apenas o Centro de Treinamento do clube e os atletas. No dia seguinte, a equipe já seguiu para Israel para fazer a pré-temporada.
AE - O que espera deste novo desafio?
Zico - Espero evoluir ainda mais como treinador, fazer mais uma vez um bom trabalho e manter o CSKA como um time vencedor não somente na Rússia, mas também tentar obter bons resultados nas competições europeias.
AE - Você tem como meta fazer história agora como técnico?
Zico - Não me preocupo muito com isso. Minha meta é o trabalho. Era assim quando eu jogava e não mudou como treinador. Fazer história no clube é a consequência de conquistas importantes. Então, é arregaçar as mangas e trabalhar. É o que penso.
AE - Já estudou o time do Aston Villa, em jogo que marcará sua estreia à frente do CSKA?
Zico - Sim. O mais importante, no entanto, é conseguir chegar em boas condições para enfrentar o Aston Villa, pois temos a desvantagem da paralisação das atividades no fim do ano. Os ingleses, por sua vez, estão embalados. É compensar isso com trabalho e superação.
AE - A meta principal do CSKA em 2009 é conquistar a Copa da Uefa novamente?
Zico - O objetivo sempre é de conquistar títulos, ainda mais em um clube que já sentiu este gostinho na Uefa. Mas também temos a intenção de vencer o Campeonato Russo. Além disso, vamos nos preparar da melhor forma possível para a próxima Liga dos Campeões, cuja vaga já garantimos.
AE - Como está a pré-temporada do CSKA em Israel, país em conflito com os palestinos?
Zico - Já estamos em Caesarea, perto de Tel Aviv. É o quinto ano seguido que o CSKA vem para cá e os diretores garantiram a todos que não teríamos nenhum problema. Parece que eles têm razão. Estou aqui há poucos dias sem qualquer transtorno e bem distante do conflito (encerrado no último domingo).
AE - Trabalhar com tantos brasileiros vai facilitar sua adaptação ao clube?
Zico - É sempre bom falar um pouco de português. É uma vantagem, mas a linguagem do futebol é universal.
AE - Já conhecia o time do CSKA?
Zico - Sim, o enfrentei duas vezes na Liga dos Campeões do ano passado e, de lá para cá, não houve muitas mudanças, a não ser a perda dos brasileiros Jô (atacante) e Dudu Cearense (volante). Esse é o momento de analisar melhor o grupo e saber se precisamos de reforços. Sei que é um time bem entrosado, com tradição no futebol russo.
AE - Você vai sugerir a contratação de jogadores que atuam no futebol brasileiro para o CSKA?
Zico - Por enquanto não. Seria precipitado fazer isso antes de avaliar o elenco. Além disso, já temos muitos estrangeiros no grupo e não poderíamos contratar mais, a não ser que um deles saísse. Não indiquei ninguém até o momento.

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