Zico faz denúncia sobre mercantilismo da Fifa
Nuremberg - Depois de nenhuma vitória nas duas primeiras partidas, o adversário teoricamente mais difícil ficou para a última chance de conquistar a vaga como segundo colocado no Grupo F. Zico sabe que a tarefa é complicadíssima, mas demonstra confiança em seu time. Mais insatisfeito com o desgaste que seus jogadores vêm tendo por terem jogado duas vezes às 15 horas, sob calor de quase 40 graus centígrados, o treinador brasileiro denunciou o mercantilismo da Fifa, acusando a entidade a pôr os negócios proporcionados por uma Copa do Mundo acima da saúde de todos os jogadores.
No bom português, Zico chutou balde na entrevista coletiva após a partida. É desumano marcar jogos neste horário de três da tarde, com essa temperatura. Os jogadores até que se comportaram bem, mas é a segunda vez que o Japão joga nesse horário criminoso. O mundo pára para ver uma Copa e o que prevalecem em vez dos artistas do espetáculo são os negócios. O futebol-business gera esse tipo de problema e afeta as exibições. Nesse calor, os erros são mais freqüentes, reclamou Zico.
O técnico brasileiro conclamou os jogadores atuais a se unirem contra esse tipo de situação. Sem seu tradutor Kunihiro Suzuki, barrado no baile pela organização, para desespero dos japoneses, Zico afirmou: Não sou mais jogador, mas acho que isso tem de ser revisto e só com uma atuação coletiva da classe a situação pode ser mudada. Esse tipo de horário altera até o metabolismo dos jogadores e ninguém agüenta, disse.
Apesar de saber que as chances do Japão estão cada vez mais difíceis, ele mantém o discurso otimista sobre classificação. Temos um fiapo de esperança e vamos nos agarrar a ele. O sapo está meio enterrado, mas vamos lutar pela vaga com todas as nossas forças. Respeitamos o Brasil, mas já vi muita coisa acontecer no futebol.
O técnico croata, Zlatko Kranjcar, também achou que o calor afetou sua equipe. Ele não terá contra a Austrália o zagueiro Robert Kovac, suspenso pelo cartão amarelo. Não quis antecipar quem pode ser o substituto. (Agência O Globo)





