Zico e legião de brasileiros fazem história na Turquia
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sábado, 08 de março de 2008
Robson Morelli<br> Agência Estado 
São Paulo - Um dia depois de levar o Fenerbahçe à fase de quartas-de-final da Liga dos Campeões pela primeira vez em sua história, o técnico Zico e a legião de brasileiros do time tentavam atravessar a cidade de Istambul em meio a muitos torcedores que lotavam as ruas para festejar a vitória nos pênaltis sobre o Sevilla, fora de casa.
''Isso aqui está uma loucura'', contou Zico por telefone à Agência Estado, com a voz embargada de quem passou a noite em claro, comemorando a façanha com o grupo. Só no Aeroporto Internacional de Istambul, segundo ele, disse havia cerca de três mil pessoas. ''E esses caras nos acompanharam do aeroporto até o Centro de Treinamento do Fenerbahce. Na rua, se juntaram com mais gente e estão agora querendo invadir o clube. É muita alegria.''
Melhor jogador da história do Flamengo, um dos maiores craques do futebol brasileiro e amado no Japão, onde já virou até estátua, Zico está perto de conquistar uma nova nação por conta do futebol. Zico é tão ídolo na Turquia quanto os jogadores do Fenerbahçe, entre eles os brasileiros Alex, Roberto Carlos (que não jogou por estar machucado), Edu Dracena e Deivid, além dos naturalizados turcos Marco ''Mehmet'' Aurélio e Vederson.
''A classificação foi ótima. É muito importante você traçar um objetivo e ter condições de cumpri-lo. Ter a oportunidade de realizar um bom trabalho. Estamos muito satisfeitos até agora'', disse Zico, que fez questão de ressaltar a recuperação durante a partida do goleiro Volkan Demirel, que falhou em dois dos três gols do Sevilla no tempo normal, e depois pegou três pênaltis. ''Sempre tive confiança nele. Cometeu erros no início, mas pedi a ele que mantivesse a concentração na partida. Fez o que tinha de fazer e foi determinante na vitória.''
De volta a Sevilla
Quando chegou a delegação do Fenerbahçe a Sevilla, Zico comentou com o meia Alex e os demais brasileiros que havia sido naquela cidade espanhola que o Brasil disputou a primeira fase da Copa de 1982, com um dos melhores e mais injustiçados times da história do futebol. Telê Santana era o técnico e Zico, o craque e camisa 10.
Foi no mesmo estádio do jogo da última terça-feira que o Brasil estreou no Mundial, com a difícil virada por 2 a 1 sobre a União Soviética, com gols de Sócrates e Éder. ''O goleiro russo Dasaev estava muito bem e pegando tudo'', lembrou o Galinho de Quintino, que vivia então o melhor momento de sua carreira como jogador. Os outros jogos, contra Escócia e Nova Zelândia, foram no Estádio Benito Villamarin, antigo campo do Betis.
Vinte e seis anos depois, e um dia após completar 55 anos, lá estava Zico em Sevilha comandando o Fenerbahçe num dos maiores momentos de sua história. A satisfação dos dirigentes com Zico é tanta que o presidente do clube, Aziz Yildirim, embalado pela festa inédita, já anunciou a renovação do contrato do treinador por pelo menos mais uma temporada.
Quando chegou, em 2006, logo depois de fracassar com o Japão na Copa do Mundo, Zico assumiu o compromisso de trabalhar em Istambul por dois anos. ''É claro que queremos ficar com ele. No fim de março, o Conselho Diretivo do Fenerbahçe tomará uma decisão sobre o assunto'', disse Yildirim.
Em menos de 24 meses entre os turcos, Zico levou o clube mais popular do país ao título nacional e da Supercopa da Turquia. Aguarda de camarote agora pelo adversário das quartas-de-final da Liga dos Campeões, cujo sorteio está marcado para o dia 14.


