Zico diz que Ronaldinho estava sonolento e grogue na decisão
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sexta-feira, 17 de julho de 1998
Agência Estado 
O coordenador técnico da Seleção Brasileira, Zico, reafirmou ontem, em sua chegada ao Rio, que a escalação de Ronaldinho na final da Copa do Mundo, domingo passado, contra a França, foi um erro. Zico disse que a decisão foi tomada pelo técnico Zagallo com base no parecer dos médicos Lídio Toledo e Joaquim da Matta. Se tinha alguém com poder de veto, eram os médicos, que não vetaram, argumentou o coordenador. Ficou provado que um jogador, mesmo sendo o melhor do mundo, não pode entrar em campo se não estiver 100% em condições físicas.
Ao contrário do que disseram Lídio e Da Matta, Zico afirmou que Ronaldinho estava sonolento e grogue mesmo depois de horas de repouso após a crise convulsiva. Ele não tinha a menor condição de jogar, disse. Mas quando se tem um problema como esse, a gente segue a orientação de quem entende - no caso, os médicos.
Para Zico, o fato de Ronaldinho ter dito no vestiário que estava bem e queria jogar não deveria ter sido levado em consideração. Canso de ver gente que diz que está bem para jogar, mas vai uma diferença de estar bem de fato. Segundo ele, Ronaldinho estava na ânsia de fazer o melhor e defender o Brasil, por isso pediu para entrar em campo. Ele é o menos culpado de tudo.
Zico conhece alguns sintomas pós-convulsão, porque o filho Bruno já teve duas crises semelhantes à de Ronaldo, causadas por disritmia. A pessoa esquece de tudo e precisa de repouso. Era o caso do craque. Ele entrou em campo sonolento, meio bobo.
O médico Joaquim da Matta confessou numa entrevista que teve dúvidas em liberar o artilheiro. Se ele estava indeciso, tinha de vetar, rebateu Zico. O coordenador, porém, admitiu que a decisão era difícil e teve de ser tomada rapidamente. Ele negou que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, tivesse interferido. Vocês não conhecem a índole do Zagallo, é um cara íntegro, honesto e correto, afirmou. A única coisa que pode influir na escalação é um veto do departamento médico.
Zico não deu um voto contrário à escalação. Não fui para a Seleção para escalar o time, justificou. Sempre tive equilíbrio para não misturar as funções. Segundo ele, seu papel era o de trocar opiniões com Zagallo após os treinos e jogos e transmitir parte da sua experiência ao grupo.
Zico também negou que os jogadores tenham discutido sobre a escalação de Ronaldinho. Em nenhum momento da Copa um jogador pediu para escalar este ou aquele companheiro. Mas a crise convulsiva do craque arrasou todo o grupo. Lógico que abalou, porque eles viram o melhor jogador do mundo correndo risco de vida, a 6 horas do jogo, contou. Alguns estavam em estado de nervos à flor da pele.
O coordenador não viu a crise de Ronaldinho. Estava em outro prédio do Chateau Grande Romaine e só foi ao quarto do atacante às 16 horas, quando este estava dormindo. Segundo ele, Ronaldinho não deu qualquer demonstração de estar estressado antes da partida. Ele jogava video-game e brincava na Internet com os colegas, contou.


