O coordenador Zico garantiu ontem à tarde, em Ozoir-la-FerriSre, que em nenhum momento a Comissão Técnica da CBF pensou em punir o volante Dunga pela sua atitude de chamar a atenção de Bebeto com palavrões e ameaça de agressão, no primeiro tempo do jogo de terça-feira contra a seleção de Marrocos.
Zico disse não viu nenhum ato de indisciplina no episódio, que teve muita repercussão nos últimos dois dias. ‘‘Se o Dunga quisesse jogar a torcida contra o companheiro, aí sim teríamos de tomar uma posição. Nesse caso, ficou tudo esclarecido ainda dentro do campo, antes do intervalo e para a Comissão Técnica o assunto está encerrado.’’
Sobre o pedido de desculpas apresentado por Dunga, que reconheceu o erro, o coordenador só tinha elogios. ‘‘Só os grandes homens têm esse tipo de atitude’’, afirmou. ‘‘Dunga tem uma visão como poucos do que acontece dentro do campo, enxerga muito, e tudo o que faz é pensando no bem dos companheiros e da Seleção. Na ânsia de ajudar, ele pode extrapolar, como aconteceu terça-feira. O fato foi resolvido ali no campo mesmo, com a ajuda do Leonardo.’’
Um grupo que cresce e une-se com as brigas. Difícil de acreditar. Mas esse é o diagnóstico da Comissão Técnica e dos jogadores sobre o atual estágio da Seleção Brasileira. Zagallo, Zico e os atletas dizem que as ríspidas discussões entre Edmundo e Leonardo e depois entre Dunga e Bebeto serviram, por incrível que pareça, para aproximar os jogadores.
‘‘O grupo foi se unindo durante a competição, mesmo com alguns probleminhas: agora você pode perceber que os jogadores estão mais soltos e relaxados’’, disse o coordenador-técnico Zico.
‘‘Confesso que, quando chegamos aqui, o ambiente não era 100%: agora, todos estão remando por um mesmo lado, tanto que os companheiros da reserva estão torcendo para os titulares, o que dá uma tranquilidade muito grande para quem joga’’, afirmou o goleiro Taffarel.
Nem todos os jogadores estão transbordando de alegria, porém. O meia Giovanni, por exemplo, retraiu-se ainda mais depois de perder a posição para Leonardo. Normalmente arredio a entrevistas, ele agora tem fugido sempre dos repórteres e carrega um semblante triste e revoltado.
O atacante Edmundo, pelo menos, quebrou sua greve de silêncio e tem dado força ao titular Bebeto.

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