Brasília, 15 (AE) - O ex-jogador de futebol Arthur Antunes Coimbra, o Zico, disse hoje apoiar a proibição do controle, por uma empresa, de dois ou mais clubes que disputam uma mesma competição esportiva. "Isso provoca suspeitas, é contra a cultura brasileira e temos de prevenir essas situações", afirmou Zico, em depoimento na Comissão Mista do Congresso que analisa a Medida Provisória n.º 2.011-4, sobre bingos e clubes esportivos. Ele fez uma ressalva: "É preciso diferenciar os contratos de patrocínio daqueles em que há efetivo poder de administração sobre o time."
A convocação do jornalista Juca Kfouri, colunista do jornal Lance! e da Rede TV!, foi aprovada pelos parlamentares. Ainda não foi marcada a data para ouvir um dos mais ácidos críticos do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. O único voto contrário foi do deputado Eurico Miranda (PPB-RJ). "Esse cidadão não tem nada a contribuir", disse Miranda, que também é o principal dirigente do Vasco.
Zico é presidente do CFZ do Rio, time de futebol que disputa a segunda divisão carioca, e acumula o cargo de diretor-técnico do Kashima Antlers (Japão), onde encerrou sua brilhante carreira de jogador, com passagens inesquecíveis pelo Flamengo, Seleção Brasileira e Udinese (Itália). O ex-craque também preside o Comitê Pró-Candidatura do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2006.
Os parlametnares também ouviram o ex-jogador dizer que é contra a obrigatoriedade de os clubes profissionais de futebol tornarem-se empresas. Segundo ele, o anteprojeto enviado ao Congresso quando dirigiu a Secretaria de Esportes no governo Collor, não trazia essa imposição. "Os clubes têm de estar preparados para ganhar dinheiro, até em parcerias com empresas, mas não podemos perder a paixão, a emoção." Sobre as frequentes acusações de irregularidades nos bingos, Zico disse ser contrário à proibição desse tipo de casa de jogo. Para ele, o problema está na precária fiscalização.

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