Dortmund - Foi uma despedida bem diferente da que poderia ter sido e certamente da que foi planejada. Zico retorna hoje ao Japão para fechar seu ciclo no comando da seleção japonesa orgulhoso de seu trabalho, mas com mágoa de não ter conseguido chegar pelo menos nas oitavas-de-final da Copa do Mundo. Abatido com a eliminação, que ele reconhece ter começado a se desenhar na derrota na estréia para a Austrália, Zico estava de mau humor na entrevista coletiva mais uma vez mal organizada pela Fifa e depois na costumeira resenha com a imprensa japonesa.
Ele deixa a Alemanha com a certeza de ter cumprido sua missão com a seriedade que o caracteriza, mas sabe que em seu diploma não haverá nenhuma observação, tipo ''aprovado com louvor''. Como no futebol o que vale é o resultado, Zico tem noção de que a comparação com a seleção japonesa de 2002, que chegou às oitavas-de-final será inevitável.
''Temos que saber os nossos limites. O Japão precisa trabalhar seus jogadores, dar mas força física. Os jogadores precisam ter um nível profissional alto. Trabalhar no limite, como Nakata, em seus clubes. Não ser profissional só na seleção. Tem que ser profissional nos clubes, não ficar de brincadeirinhas nos treinos. Agora, não ter chegado mais longe, como a seleção de 2002, não me preocupa. O sucesso ou o fracasso fica a julgamento da Federação, do torcedor e da imprensa. Volto a dizer. Fiz o máximo que pude.''
Apesar do tom amargo em sua últimas respostas, na rodinha de jornalistas japoneses e estrangeiros, Zico estava orgulhoso do time. Às vezes falando como se ainda existisse um futuro para ele no comando da seleção, o técnico demonstrava sua gratidão a Saburo Kawabuchi, o presidente da J-League, que confiou nele e em sua comissão técnica.
''Tivemos muitos problemas, dificuldades por causa de contusões. Sou muito grato ao presidente da Federação, que apostou em mim e acreditou no nosso trabalho. Foi uma caminhada difícil nesses quatro anos, mas evoluímos muito'', concluiu. (Agência O Globo)

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