São Paulo - Acusado de abuso e exploração sexual da menor D.N.M.S, de 14 anos, o ex-atleta Zequinha Barbosa, vice-campeão mundial dos 800 metros em Tóquio (1991) e medalha de ouro nos Jogos Pan-Americano de Mar Del Plata (1995), lamentou a decisão do Ministério Público de Mato Grosso do Sul de pedir sua condenação ao Poder Judiciário. E revelou que sua vida financeira está arruinada e sua imagem ficou destruída.
''Acabaram com a minha imagem. Sou uma personalidade do esporte. Era para estar participando de todas as cerimônias olímpicas, levar a tocha pelas ruas do Rio e olha o que fizeram comigo! Minha vida financeira está um desastre e não sei mais o que fazer, pois vivo do meu nome'', desabafou Zequinha, em entrevista exclusiva à Agência Estado.
Zequinha enviou uma carta ao advogado Abadio Marques Rezende cobrando agilidade na sua defesa e mais exposição na mídia ''para que se faça ouvir a versão real dos fatos''. O ex-atleta ressaltou que se encontra em delicada situação financeira. ''Só de advogado devo desembolsar R$ 25 mil em honorários. Não tenho de onde tirar dinheiro se minha imagem for prejudicada. Estava cotado para participar das solenidades do COB e fiquei de fora de tudo'', contou.
Abadio Rezende disse ontem que já esperava a decisão do Ministério Público, mas está desapontado com a conduta do MP. ''Meu cliente não participou disso, não há provas contra ele e a garota deu depoimentos contraditórios, uma hora fala que foi no Motel A e em outra no Motel B. Além disso, a promotoria está insegura quanto ao caso'', afirmou o advogado de Zequinha.
Segundo a promotora de Infância e Adolescência, Ariadne Perondi, há provas consistentes do envolvimento do ex-atleta. Embora o juiz Luiz Carlos de Souza Athayde receba o pedido de condenação no início da próxima semana, uma sentença final deve ser proferida apenas no segundo semestre, uma vez que haverá recesso forense no mês de julho. Até lá, Zequinha terá de correr contra o tempo para provar sua inocência, muito mais do que quando era um ídolo do atletismo.

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