São Paulo - O técnico José Roberto Guimarães, da seleção brasileira feminina de vôlei, sonha em conquistar seu terceiro ouro olímpico. Ele, que venceu em 1992 comandando a equipe masculina e em 2008 com a feminina, quer repetir a dose agora nos Jogos de Londres. Estudioso do esporte, sabe que as dificuldades serão grandes, mas espera brilhar mais uma vez.
Como você vê o atual nível técnico feminino no vôlei mundial?
Tem crescido sempre porque aparecem novas jogadoras com novas características, e isso logicamente faz com que o voleibol cresça e continue em progressão, tanto em treinamentos quanto em nível de jogos. Ele vai evoluindo à medida que o feminino se aproxima muito do masculino e em algumas jogadoras eu já vejo essas qualidades de baterem bolas mais rápidas do fundo. Acho que está sempre num processo de evolução.
Quais jogadoras, sem contar as brasileiras, te encantam?
Uma que me impressionou muito nesta última temporada foi a Kim, coreana. A Gamova é uma que sempre impressiona, a Sokolova é outra boa jogadora. Acho que essas três principalmente.
Qual papel o Brasil vai fazer em Londres?
Acho que o mais importante é o espírito que a gente está indo para essa competição. Primeiramente, acredito que o Brasil não é favorito. A gente teve um ano de 2011 bastante difícil, com várias competições e algumas contusões e vimos algumas equipes na nossa frente. Tendo de disputar uma qualificatória que havia 20 anos não disputávamos. A gente chega em condições de igualdade com algumas outras seleções, mas eu vejo, por exemplo, os Estados Unidos na nossa frente, a Itália, e acho que as outras seleções em igualdades de condições. E a Rússia, que não se apresentou bem no Europeu, mas também pode vir a ser uma das favoritas.
Você vê semelhanças deste momento com o período que antecedeu os Jogos de Pequim?
Sim, acho que é muito parecido. O ano que tivemos mais problemas foi 2007, assim como foi em 2011. Vamos ver este ano, começou a temporada agora, e o que eu vejo é uma vontade muito grande de melhorar, de evoluir da seleção, e isso é muito positivo. Vamos esperar um pouquinho mais para ter uma ideia mais fidedigna daquilo que pode acontecer.
A irregularidade da seleção te preocupa?
Sempre foi, no feminino a gente sempre tem que prestar atenção nisso. Os times que são mais regulares vencem. O que a gente bate muito nesta tecla é realmente essa regularidade, que te faz vencer. É isso que a gente busca em todos os fundamentos do jogo. Se mantivermos uma regularidade e um nível de eficiência bom, a gente joga de igual para igual com qualquer seleção do mundo.
A boa atuação do Brasil passa pela recuperação de jogadoras importantes, como Mari e Natália?
Passa. Eu sempre falo que, como nosso time é de operárias, pois não temos nenhuma jogadora que joga sozinha, nós temos de jogar como time, é importante que o time seja o centro e que logicamente a gente precisa da colaboração de todas. Então quando a gente perde jogadoras importantes, isso é sentido nitidamente, como foi o caso da própria Copa do Mundo. Então a recuperação dessas jogadoras é extremamente importante para elevar o nível técnico do nosso time e não sobrecarregar algumas delas.
Você disputou o Pré-Olímpico Sul-Americano com duas líberos e também fez isso em outras competições. Você acha possível fazer isso na Olimpíada?
Acho que pode-se usar, mas não quer dizer que eu vá fazer isso. Eu já fiz alguns testes no ano passado dentro da seleção brasileira, agora na Turquia, no Fenerbahçe, eu também usei duas líberos, fiquei muito confortável e achei que o time também, mas isso implica você perder uma meio ou uma jogadora que possa fazer ponta ou saída, mas eu penso o seguinte: todas as jogadoras têm suas reservas, por que a líbero não pode ter? Sempre se falou: 'Ah, se a líbero se machuca, uma outra jogadora pode fazer a função.' Não vai fazer da mesma forma, pois não é uma líbero específica. Então eu penso sim. Não está descartada essa possibilidade, temos de pesar prós e contras na hora de fazer os cortes, mas não está descartado.
A seleção teve duas levantadoras, a Fernanda Venturini e a Fofão, que se mantiveram por muitos anos na equipe e fizeram história. Agora você busca as substitutas para ocupar este posto. Como está essa disputa?
Elas estão evoluindo, precisam de mais tempo atuando no cenário internacional. Fernanda e Fofão foram longevas e isso acabou cerceando as outras levantadoras, que não tiveram tanto tempo para poder atuar neste nível internacional. Uma coisa é jogar a Superliga, outra é enfrentar as melhores atletas do mundo em grandes competições. Muda muito. E elas precisam. Estão tendo essa experiência agora, neste ciclo olímpico, que elas estão com a responsabilidade de levar avante todo um histórico de boas levantadoras que o Brasil teve. Mas faz parte do aprendizado delas, da experiência que precisam ter. Acho que estão evoluindo e no futuro vão dar conta sim.
A vitória da Turquia no Pré-Olímpico Europeu causou surpresa para você?
Não. A gente sabe do movimento que está tendo na Turquia, ela já participa de competições internacionais, como Copa do Mundo e Mundial, os clubes têm participado e vencido grandes competições, como o Mundial. Para mim não foi surpresa por conhecer a realidade do voleibol turco e a própria participação do Marco Aurélio, que é brasileiro e é o técnico da Turquia.
Tem espaço em sua casa para mais medalhas?
Tem, com certeza. Para isso a gente pode até fazer um puxadinho.
O terceiro ouro olímpico é um sonho?
Seria um sonho. É uma grande responsabilidade primeiro levar a seleção brasileira para a Olimpíada e depois pensar em lutar novamente por uma medalha. Lógico que é um grande sonho estar lá e poder brigar por uma medalha.

Imagem ilustrativa da imagem Zé Roberto descarta favoritismo em Londres
mockup