Zé Elias vive nova realidade no futebol austríaco
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sábado, 18 de outubro de 2008
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Ele foi contratado para ser a grande estrela do Londrina no Campeonato Paranaense de 2008. Chegou com status de grande estrela não só do clube como do torneio. Porém, sua passagem com a camisa alviceleste não duraram mais do que 45 minutos. O Zé da Fiel não conseguiu virar o Zé do Tubarão, como queriam os torcedores. Sem condições de jogar devido ao grande tempo parado, ele viu das arquibancadas o Londrina escrever de forma pífia os capítulos da pior campanha do clube em paranaenses dos últimos 11 anos.
Agora, em forma, Zé Elias, aos 32 anos, tem outra empreitada complicada: livrar o SC Rheindorf Altach do rebaixamento no Campeonato Austríaco. O time é o lanterna do torneio com apenas seis pontos. Foram duas vitórias e dez derrotas.
Zé Elias se transferiu em junho para o Altach e tem contrato até maio do ano que vem. Lá, chegou a jogar até de atacante, mas marcou apenas um gol com a camisa amarela e preta, pela Copa da Áustria, contra o GAK, fora de casa.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, Zé Elias conta dos planos de continuar na Europa, da vida na pacata Altach, localizada nos pés dos Alpes, próxima a Bregenz, famosa por seu festival de ópera realizado em um palco montado às margens do lago Constance, e da passagem pelo Londrina. Confira:
Futebol na Áustria
Graças a Deus está tudo bem aqui. Estou em um time pequeno, que luta para não cair para a Segunda Divisão. É muita marcação e mais marcação. Não tem muita novidade, não, para mim. Não tem muito segredo. Já conhecia um pouco como era o futebol austríaco. São praticamente três times que lutam pelo título e os outros, são todos meio iguais. Jogam na marcação, todos os jogadores atrás, dando porrada e esperando um contra-ataque para ganhar de 1 a 0. Não vou dizer que o nível é fraco, a característica é que é diferente. Apesar que, comparando com o Brasil, dá para considerar fraco, sim.
Dificuldades de adaptação
Estou voltando a falar alemão, pois havia me esquecido. Eu aprendi alemão quando fui jogar no Bayer Leverkusen (da Alemanha), em 1996, mas já se passaram 12 anos e eu esqueci. Mas estou lembrando aos poucos, estou bem melhor já. Com relação à comida, não tive problemas, não. Tem de tudo aqui. A gente ao mercado e compra arroz, feijão, macarrão. A comida é a base de batata e eu gosto. Então, não tive problemas.
Voltar para o Brasil
Olha, não penso em voltar agora, não. Penso em ficar aqui (na Europa). Aliás, quanto mais tempo ficar fora melhor. A qualidade de vida é outra, não tem poluição. A cidade (Altach) tem 6 mil habitantes apenas. Eu vou para o treino de bicicleta todos dias, já que moro a uns 200 metros do Centro de Treinamento, que fica do lado do estádio (Schnabelholz) onde a gente joga. Isso é bom. Estou todos os dias em casa, já que não concentramos, a não ser quando os jogos são fora. Agora, que mudou o treinador, treinamos duas vezes por dia às quartas e quintas, nos outros dias só uma vez. A cidade fica na região das montanhas, uma região bem bonita. Da minha casa dá para ver as estações de esqui. É bem perto de tudo e dá para passear nas folgas, pois moro a 100 quilômetros de Zurique (Suíça) e 100 de Munique (Alemanha). Agora, estou esperando uma folga para ir visitar meu irmão (o goleiro Rubinho) em Genoa (Itália).
Londrina
Infelizmente foi muito rápido (a passagem pelo clube). Fui (para Londrina) para tentar ajudar o Adir (Leme da Silva, gestor do clube), mas eu estava há muito tempo parado e precisava de tempo para treinar e não tinha muito tempo. Depois teve o convite para receber a homenagem em Milão (feito pela Internazionale) e o time não classificou para a segunda fase do Paranaense. Fui para tentar ajudar e não consegui, esse foi o lado ruim da passagem. Acho que o time tinha condições de classificar, mas perdeu bastante gols e ainda, no jogo que joguei, o juiz deu falta e não foi (no lance saiu um dos gols da Adap Galo, que acabou vencendo a partida por 2 a 1).
Lembranças
Do clube, eu guardei as pessoas que trabalhavam lá como, o Adir, o massagista Vágner, o Ni (roupeiro), o Odirlei (preparador físico), que ficou comigo treinando separado. Da cidade não conheci muito, pois sou bastante caseiro. Conheci só o Shopping Catuaí, porque o Adir me levou lá para almoçar. Fiquei mais no apartamento mesmo.
Fim da carreira
Às vezes sim, às vezes não. Sou realista e acho difícil voltar e acabar (a carreira no Corinthians). Essa direção disse antes da eleição que iria falar comigo, mas depois não falou mais nada. As pessoas perguntavam se eu iria, pela história que tinha lá, mas isso é normal dentro do futebol.


