Zanardi se emociona na festa de despedida
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quarta-feira, 04 de novembro de 1998
Agência Estado 
O italiano Alessandro Zanardi se despediu da Fórmula Indy - vai pilotar uma Williams na Fórmula 1 em 99 - com seis recordes. O bicampeão não conseguiu igualar a marca de oito vitórias num ano, de Michael Andretti, em 91, mas confirmou nas 500 Milhas de Fontana, domingo passado, uma impressionante regularidade: foi seu 15º pódio em 19 corridas. Outros recordes de Zanardi são o de pontos (285), vitórias seguidas (quatro), poles e primeiras filas consecutivas (6 e 11, respectivamente) e de média de vitórias por GP, 15 em 51 (29,4%).
Zanardi foi a estrela do jantar de premiação que a Cart realizou no Hotel Century Plaza, em Los Angeles. O campeão recebeu troféu e o cheque de US$ 1 milhão pelo título e ainda embolsou outro US$ 1.219.250,00 pelos prêmios de chegada. O companheiro Jimmy Vasser ganhou US$ 500 mil pelo vice e US$ 1.584.250,00 de prêmios de chegada - US$ 1 milhão apenas pela vitória em Fontana, na última etapa.
Zanardi subiu ao palco e fez um longo discurso que levou os integrantes da equipe Ganassi às lágrimas. Todo o time de mecânicos, o engenheiro Morris Nunn, o patrão Chip Ganassi e funcionários foram ao palco e se emocionaram com a despedida do campeão.
Zanardi guardou palavras de carinho especial ao companheiro Jimmy Vasser. Não sei se vocês vão acreditar, mas quando eu estava em terceiro lugar na corrida de domingo, com Jimmy na minha frente, realmente pensei que não faria diferença qual dos dois ganhasse, revelou. Eu ficaria feliz do mesmo jeito. Depois da confissão, Zanardi deu um abraço e um beijo no rosto do amigo.
Os únicos pilotos brasileiros a receberem prêmios foram Tony Kanaan, que ganhou US$ 50 mil pelo título de estreante do ano, mais US$ 366.500 de prêmios de chegada, e Maurício Gugelmin, que recebeu um prêmio especial da Valvoline, patrocinadora da PacWest. O carro de Gugelmin foi eleito o mais bonito do ano e também levou prêmio.
O presidente da Cart, Andrew Craig, fez uma homenagem a Émerson Fittipaldi pela aposentadoria. E brincou com a fama de Fittipaldi de sempre se atrasar nos compromissos. Estamos anunciando a sua retirada das pistas dois anos depois, mas, pela primeira vez, Émerson estará presente com pontualidade.
Jejum de vitórias - As razões foram muitas: os pneus Goodyear, que não vencem há 19 provas e prejudicaram os quatro pilotos calçados com eles (Gil de Ferran, Christian Fittipaldi, André Ribeiro e Hélio Castro Neves); a falta de testes, que deixou a Tasman de Tony Kanaan para trás; ou as decisões técnicas equivocadas da PacWest, como a de produzir seus próprios amortecedores, que fizeram Maurício Gugelmin ter uma queda vertiginosa de desempenho. Mas o fato é que os pilotos brasileiros encerraram a F-Indy de 98 sem vitória, quebrando uma tradição de 13 anos.
Desde 1985, quando Émerson Fittipaldi venceu a primeira corrida na Indy, no oval de Michigan, com um Lola-Chevrolet azul e branco da equipe Patrick, que o Brasil não passa um ano inteiro sem vitória na categoria. Émerson ganhou pelo menos uma corrida em todas as temporadas que disputou até 95. Retirou-se das pistas, no ano seguinte, após o acidente em Michigan, com um retrospecto de 22 vitórias, 17 poles, um título, em 89, e duas vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis, em 89 e 93.
André Ribeiro e Gil de Ferran mantiveram a escrita. André venceu uma corrida no ano de estréia, em New Hampshire, em 95, e outras duas em 96, no Rio e em Michigan. Gil ganhou em Laguna Seca, há três anos, e em Cleveland, 42 corridas atrás. A última vitória foi de Maurício Gugelmin, em Vancouver, em setembro do ano passado. Gugelmin também obteve a última pole position dos brasileiros, em Fontana, no encerramento da temporada passada.


