Toronto - ''Eu ainda sonho.'' Com esta frase o italiano Alessandro Zanardi marcou sua volta ao mundo do automobilismo, quase 10 meses depois de perder as pernas em consequência do grave acidente que sofreu no GP da Alemanha de F-Indy/Cart. Alex sabe que voltar a fazer aquilo que fez de melhor em seus 35 anos de vida, pilotar um carro de corrida, é praticamente impossível. Mas quer continuar vivendo intensamente, com mais prazer e alegria do que antes daquele 15 de setembro de 2001.
''Eu estou vivo. E viver é maravilhoso, é motivação suficiente para lutar, ir em frente'', disse Zanardi em Toronto, no Canadá, em uma festa beneficente promovida pela Cart (Championship Auto Racing Teams). Foi sua primeira aparição em um ambiente de corrida desde o acidente. Homenageado, recebeu o Greg Moore Achievement Award, prêmio concedido àqueles que contribuíram para o desenvolvimento da categoria.
Com o bom humor que sempre o caracterizou, frases divertidas ''acabo de chegar da Europa, não pude nem tomar banho, me desculpem por isso'' e demonstrando sua conhecida determinação, Zanardi emocionou a platéia. Chegou ao local da festa acompanhado da mulher, Daniela, e das pernas mecânicas, suas novas companheiras. Com auxílio de duas bengalas, caminhou com desenvoltura impressionante para alguém que ainda está se adaptando à nova realidade, como ele mesmo gosta de dizer.
Desenvoltura que surpreendeu até Terry Trammell, um dos médicos da Cart e o primeiro a socorrê-lo em na Alemanha. ''Eu tenho dificuldade para me equilibrar em descidas. Fora isso, já estou nem adaptado, mas preciso melhorar.''
Força interior No entanto, engana-se quem pensa que Zanardi é hoje uma pessoa amargurada. Mantém o bom humor, a alegria. ''Sou uma pessoa otimista, e isso me leva para frente.'' Ele também conta com uma força externa, fundamental em todos os momentos, principalmente aqueles poucos, segundo diz, em que fica com o astral baixo. Então entram em ação a mulher, Daniela, e o filho Niccolo, de 4 anos.
''A Daniela é uma grande mulher, é fantástica. Fica sempre na sombra, mas é fundamental. Ela foi muito forte. E meu filho é um grande filho. Geralmente as crianças são mesmo muito especiais'', disse Zanardi, demonstrando amor e admiração, e deixando escapar que espera que Niccolo não siga sua carreira. ''Ele é cauteloso, puxou a mãe. Não acredito que queira ser piloto.''
Novo foco Zanardi ganhou 15 corridas e dois títulos na Indy. Agora, porém, suas vitórias são outras. ''Vivo uma nova vida. Estou conquistando as coisas ao poucos, todos os dias. E sempre que consigo alguma coisa, é uma pequena vitória'', admitiu.
Frase dita sem demagogia e sim com com total franqueza. Vitória para o novo Zanardi é conseguir percorrer, dirigindo um carro adaptado, o percurso entre sua casa e a clínica onde faz pelo menos cinco horas diárias de fisioterapia em 2h30, enquanto sua mulher não leva menos de 4 horas. ''E estou baixando meu tempo sempre'', brinca.

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