São Paulo - O Colégio Avançado, de Curitiba, poderia ter a melhor zaga do Brasil há alguns anos, se Miranda e Henrique quisessem jogar bola, em vez de ficarem de conversinha na hora do recreio. Por seis meses, no final de 2003, os dois zagueiros estudaram juntos. Eram colegas de classe. Jogavam conversa fora, mas nunca chutaram uma bola por lá, para azar do time da escola.
''A gente já treinava duro o dia todo no Coritiba. Quando chegávamos no colégio, à noite, tudo o que a gente não queria ver era bola'', diz Henrique, titular do Palmeiras. ''E a gente não gostava muito de falar que jogava no Coritiba. Nós não queríamos aparecer'', revelou Miranda, o principal zagueiro do São Paulo.
Ambos eram bolsistas. Frequentavam a escola porque essa era uma exigência da diretoria do Coritiba. Quando completaram juntos o segundo grau, passaram a dedicar-se apenas ao futebol. Miranda, dois anos mais velho, foi o primeiro a aparecer no time profissional. Henrique foi promovido justamente para a vaga do amigo, vendido para o Sochaux, da França, em 2004. Assim, nunca jogaram juntos.
Domingo, no Morumbi, será a primeira vez que se enfrentarão - Miranda não jogou naqueles 4 a 1 para o Palmeiras, pela primeira fase do Paulistão, porque estava suspenso. A amizade, garantem, vai ficar fora de campo no domingo.
Eles têm trajetória parecida. São paranaenses - o são-paulino é de Paranavaí e o palmeirense é de Marechal Cândido Rondon. E cresceram no Coritiba.
A diferença é que, antes de brilhar no São Paulo, Miranda ainda teve uma passagem pelo Sochaux, da França. Desembarcou no Morumbi em agosto de 2006 para substituir Lugano. Quando teve chance não saiu mais da equipe. Já tem 100 jogos pelo São Paulo. Henrique saiu diretamente do Coritiba para o Palmeiras neste ano. Foi um dos jogadores contratados pela Traffic e logo virou titular. Agora, sonham um dia jogarem juntos na seleção. (Agência Estado)

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