Zagueiro entra para história de clube romeno
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sábado, 28 de junho de 2008
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Você, caro leitor, já viu aqui no Mundo da Bola, algumas histórias de brasileiros que foram tentar a sorte no futebol romeno, passando frio, solidão, dificuldades de adaptação e com salários não tão altos para os padrões europeus. Tudo na busca da realização do sonho de jogar na Europa, de vencer no futebol e poder dar um futuro melhor para a família. Hoje, porém, você verá a história de um brasileiro que vive o outro lado do futebol romeno. É o paulistano André Galiassi, 27 anos, mais um brasileiro que debutará na próxima Liga dos Campeões. Ele foi campeão romeno e da Copa da Romênia com o modesto CFR 1907 Cluj, que desbancou os temidos Dínamo e Steua Bucareste.
Galiassi foi um dos dois brasileiros - o outro é o atacante Didi, ex-Santa Cruz-PE - a entrar para a história do clube da cidade de Cluj-Napoca, no centro-oeste romeno, na região da Transilvânia, aquela mesma do temido Conde Drácula. Em 101 anos de história, o CFR conquistou seus dois primeiros títulos justamente nesta temporada.
''É muito gostoso fazer parte da história do clube. Fomos terceiro colocados no campeonato passado (chegou no meio do torneio), já entrando para a história naquela época. A torcida está comemorando até agora, foram dois títulos nacionais em uma semana. Não era para menos. Ainda mais porque nosso rival (Universitatea Cluj) foi rebaixado'', contou o defensor brasileiro.
Para fazer história, o CFR Cluj precisou recorrer aos estrangeiros. A começar pelo presidente, um húngaro. ''O time chegou a jogar com os 11 estrangeiros como titulares'', contou Galiassi, que se adaptou às mudanças culturais rapidamente graças ao grande número de 'intrusos' entre os romenos. ''O técnico é italiano, o time ainda tem quatro jogadores portugueses e o Didi, brasileiro que chegou junto comigo'', apontou. Foram gastos cerca de 30 milhões de euros para montar o time vencedor.
E o número de brasileiros deve aumentar, já que a última aquisição do Cluj foi o zagueiro Hugo Alcântara, revelado pelo Mixto-MT, em 2001, e que estava no Setúbal, de Portugal.
O próximo passo é ampliar a capacidade do acanhado estádio Dr. Constantin Radulescu Stadium, de 12 mil para 25 mil torcedores, o que deve custar aproximadamente 10 milhões de euros.
A expectativa de um futuro promissor para o clube faz com que o zagueiro dispense propostas de outros países. A última foi do mexicano Pachuca, que será o representante da Concacaf no Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro, no Japão. Galiassi quer cumprir o contrato até o fim, por mais uma temporada e meia. ''O Pachuca me ligou, mas vou ficar por aqui (na Romênia) mesmo. Quero disputar a Champions League e, além disso, o clube paga em dia e os prêmios sempre são maiores do que os combinados'', contou.
A adaptação ao país e à cidade também conta na decisão do jogador. Nem mesmo as histórias de Drácula ou o idioma já o assutam. ''O Drácula é mais coisa de turista, apesar de que muita coisa lembra ele. O romeno, a princípio, parece meio louco, mas quando falam com calma, dá para entender'', revelou Galiassi. A convivência com brasileiros também ajuda. No Universitatea, o outro time de Cluj, está recheado de brasileiros. André Astorga, Baiano, Edvan e o zagueiro Fábio Bilica, que disputou a Olimpíada de 2000 com a seleção brasileira faziam parte do elenco rebaixado.


