Josoé de CarvalhoMea culpaCarlos Alberto conversa com Dorival Pagani : arrependimentoA exemplo do dia seguinte à classificação para a terceira fase do Campeonato Brasileiro da Série B, quando o prefeito Antonio Belinati (sem partido) anunciou que não daria mais qualquer ajuda financeira do clube, o ambiente no Londrina Esporte Clube voltou a ficar tumultuado depois de uma partida importante do time: ontem, menos de 24 horas depois da vitória sobre o Paysandu, que manteve a equipe na briga por uma vaga no quadrangular final, a diretoria decidiu dispensar o quarto-zagueiro Carlos Alberto.
Às 16h30, em entrevista coletiva, o coordenador-geral do clube, Célio Guergoletto, anunciou a dispensa do ‘capitão’ do time, alegando que Carlos Alberto tinha ‘‘sérios problemas particulares que poderiam atingir o grupo de jogadores’’.
- Infelizmente, vamos perder um atleta importante, mas não poderíamos ignorar o episódio. Nem Pelé, se estivesse aqui, ficaria mais no Londrina’’, afirmou Guergoletto, sem explicar o episódio em que o zagueiro estaria envolvido. A entrevista foi concedida após ele reunir-se com outros diretores e o próprio Carlos Alberto. O presidente do Conselho Deliberativo, Antonio Amaral, e o diretor de futebol, Dorival Pagani, também defenderam a rescisão contratual do jogador.
A Folha apurou que o motivo da dispensa foi uma briga de Carlos Alberto com o meia Beto às três horas da madrugada de ontem. Eles teriam se atracado depois de Carlos Alberto invadir o quarto de Beto no hotel onde ambos estão hospedados. A reportagem não conseguiu apurar o motivo da briga. O gerente do hotel revelou que recebeu do seu segurança um relatório contando o episódio, mas que a briga teria se dado do lado de fora do estabelecimento. A Folha não vai revelar o nome do hotel por entender que sua imagem poderia ser prejudicada.
A medida, porém, encontrou resistência no grupo de jogadores, que pediram uma reunião com Guergoletto no vestiário do Estádio Vitorino Gonçalves Dias. O elenco pediu para que Carlos Alberto fosse reintegrado. O zagueiro Ivanildo falou em nome do grupo:
- Por mais que a gente erre, nada é tão grave que não mereça perdão. Este é um momento de unir, não de desagregar. Participamos da mesma luta para subir à Série A. A permanência do Carlão iria nos fortalecer ainda mais. Não podemos perdê-lo’’, falou Ivanildo, que há duas semanas perdeu a braçadeira de ‘capitão’ para Carlos Alberto. Às 19h30, depois de ouvir o apelo do grupo, o coordenador-geral do clube admitiu rever a decisão. ‘‘O que aconteceu é imperdoável, mas eu até seria capaz de me curvar aos votos da maioria’’, disse Guergoletto.
O técnico Varlei de Carvalho e os jogadores - inclusive o próprio Beto - intercederam para que Carlos Alberto não fosse embora. Varlei endossou as palavras de Ivanildo e sugeriu aos dirigentes que ‘‘passem uma borracha em um capítulo que nada acrescentaria ao Londrina’’. Na opinião do treinador, a dispensa de Carlos Alberto representaria uma perda irreparável.
Ao deixar os vestiários, Carlos Alberto confessou que estava arrependido. ‘‘Me desculpei na frente de todo mundo. Eu e o Beto conversamos numa boa. Se depender de mim, está tudo bem. Agora, só quero esquecer o que se passou. Mas, se me dipensarem, paciência. Não mudaria meu conceito sobre o caráter dos atuais dirigentes do Londrina, que sempre me respeitaram. Nem deixaria de gostar do Londrina, um clube que aprendi a amar’’, disse o zagueiro, que não conseguiu disfarçar um começo de choro.
Hoje pela manhã Guergoletto e Amaral anunciam se mantêm a dispensa de Carlos Alberto. ‘‘Voltaremos a reunir a diretoria para rediscutir o assunto’’, disse Guergoletto. Da outra vez, depois de insistentes apelos, Belinati recuou e viabilizou recursos para o Londrina. O que acontecerá, desta vez, com o apelo dos jogadores?

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