Zagalo faz teste com tripé ofensivo
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quarta-feira, 18 de dezembro de 1996
Agência Folha 
O futebol brasileiro fecha hoje um ano marcado pelo seu fracasso na Olimpíada de Atlanta (terceiro lugar) e pela ascensão do atacante Ronaldinho (Barcelona, Espanha) como estrela mundial. Às 23h35 (horário de Brasília), o Brasil enfrenta a Bósnia, em Manaus (AM), defendendo três anos de invencibilidade da seleção principal - a última derrota (2 x 1) foi diante da Alemanha, em 17 de novembro de 1993.
A partida correu risco de não se realizar porque o Sindicato dos Eletricitários do Amazonas ameaçou provocar um blecaute no estádio. Como foram abertas negociações para reajuste salarial da categoria, a ameaça foi retirada.
Zagalo testa, pela primeira vez, o que ele chama de tripé ofensivo para a Copa de 98: Djalminha, Ronaldinho e Giovanni. O treinador também tenta provar que a convocação, desprezando qualquer jogador do Grêmio, campeão brasileiro de 96, está correta.
O adversário será um time literalmente cansado de guerra. A seleção da Bósnia só fez cinco partidas em sua curta história. A equipe foi criada depois da guerra civil que destruiu o país na década de 90, no processo sangrento de divisão da antiga Iugoslávia em cinco repúblicas. Durante a guerra, os sérvios (minoria na Bósnia), cristãos ortodoxos, lutaram contra os bósnios, muçulmanos. Entre os jogadores, três não são muçulmanos.
A duração média da viagem até Manaus foi de 60 horas, desde Sarajevo, capital bósnia. É como quando a gente vai jogar em Moscou, minimizou Zagalo, esquecendo que, neste caso, a viagem duraria cerca de 25% do tempo da dos oponentes.
A seleção bósnia terá 6 dos 11 titulares que têm ido mal nas eliminatórias européias para a Copa do Mundo (duas derrotas e uma vitória). A principal ausência é a de Kodro, do Tenerife (Espanha). A delegação, ao contrário do que estava planejado, tem oito (metade) jogadores radicados na Bósnia. A vitória contra a Itália por 2 x 1, num amistoso, em novembro, foi um momento de afirmação da identidade nacional. O maior temor do time hoje, em Manaus, é a temperatura de pelo menos 30 Celsius - em Sarajevo, a média noturna tem sido de 20 negativos.


