Zagalo e Romário fazem duelo de relacionamento
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de junho de 1997
Agência Estado Santa Cruz de La Sierra 
Zagalo e Romário. De personalidades completamente diferentes, os dois são obrigados a conviver em Santa Cruz de La Sierra. A dupla não trabalharia junta se o motivo fosse um mero clube de futebol. Mas como é a Seleção Brasileira, onde o período máximo de convivência chega a 45 dias - em Copa do Mundo -, os dois se toleram. Apenas isso. Uma substituição normal aos 26 minutos do segundo tempo da partida contra a Costa Rica gerou uma crise que precisou de duas conversas ríspidas entre os dois para que as aparências fossem salvas. Vitória de Romário. Fui bem claro com o Zagalo: falei que não gostei de sair. Ele me explicou que precisava ver outros jogadores. Substituição não é comigo. O Zagalo foi jogador e deve ter feito o mesmo no tempo dele, dizia, Romário, irônico.
Para não deixar claro que foi derrotado e justo com quem, Zagalo tratou de agir depressa. Encarregou o assessor de imprensa Nelson Borges de descobrir se Romário havia falado mesmo dois palavrões para as câmeras de tevê ao deixar o campo. Confirmados o vai tomar no ... e o f.d.p., o treinador procurou o atacante e teve uma longa conversa. Seu principal argumento foi o de que não tinha cabimento jogador de Seleção Brasileira falar palavrões ao ser substituído. Disse que o ato não poderia se repetir. O round que era do treinador passou para Romário com o argumento final. Zagalo falou para não se preocupar que o considera o companheiro ideal de Ronaldinho no ataque.
Depois Zagalo fez uma reunião com os jogadores e deixou claro que a partir do jogo de ontem contra o México não toleria indisciplinas. O recado para Romário era claro. Round de Zagalo.
No treino de sábado, o treinador fez questão de conversar com Romário por 15 minutos. Na conversa amena, Zagalo só reafirmava o que havia dito antes. Para quem observou de longe, passou a idéia de uma bronca homérica. Round para Zagalo. O empate veio num direto de Romário. Cercado pela mídia carioca, primeiro falou que está muito próximo de continuar no Flamengo. Sentindo a euforia dos jornalistas, disse que não estava preocupado com a raiva de Zagalo por seus palavrões. O desempate entre esses adversários que se odeiam e convivem por obrigação fica para o restante da Copa América.


