France Presse‘New look’O artilheiro Romário, de cabeça raspada, é combatido pelo zagueiro Gonçalves no treino de ontem em LyonO técnico Zagalo e o jogador Leonardo divergem sobre a melhor estratégia a ser adotada pela seleção brasileira na estréia no Torneio da França, hoje, às 20h45 (15h45 de Brasília), no estádio Gerland, em Lyon, contra os donos da casa. Enquanto o treinador defende um esquema cauteloso, com o time marcando atrás e explorando os contra-ataques, o craque da seleção e do Paris Saint-Germain prefere uma marcação por pressão em todos os espaços do campo. ‘‘A França sente quando é marcada assim, porque precisa de espaço para jogar’’, alertou Leonardo.
Ao optar por um novo estilo de jogo, Zagalo tenta evitar outro desastre, como o que aconteceu na semana passada, em Oslo, onde o Brasil foi derrotado pela Noruega, por 4 x 2. O treinador faz duas mudanças na equipe: Márcio Santos e Djalminha cedem a vaga para Aldair e Giovanni. Por orientação de Zagalo, Giovanni, que retorna à função do 1, terá de recuar mais e participar da marcação no campo brasileiro.
O treino de ontem, porém, não chegou a entusiasmar os pouco mais de mil torcedores que compareceram ao estádio Gerland. Mesmo jogando atrás, a equipe mostrou-se lenta na saída de bola e teve dificuldades para conter o ataque reserva. Paulo Nunes criou as duas principais chances de gol do coletivo, enquanto os titulares Romário e Ronaldinho ficaram isolados na frente.
Zagalo apontou o que chamou de ‘‘diferenças’’ entre o esquema que o Brasil vai adotar hoje e o utilizado em 94. A presença de Giovanni na função do 1 e de Leonardo na meia-esquerda, um pouco mais avançado do que Zinho, são as novidades, de acordo com o treinador. Ele só não entendeu as críticas ao fato de o time copiar o estilo de 94. ‘‘Até parece que cometemos um crime quando ganhamos a Copa dos Estados Unidos’’, desabafou. ‘‘O que quero agora é um futebol solto para a frente, mas com bloqueio atrás.’’
O medo da derrota impôs mudanças. O jogo com a França é considerado estratégico para as pretensões do Brasil no torneio e também na Copa América. Embora afirme que a seleção ‘‘tem um crédito muito grande e não está no cartão vermelho’’, Zagalo sabe que duas derrotas consecutivas podem abalar o seu trabalho.
A França vai enfrentar o Brasil com uma equipe desfigurada. Vários titulares não começam a partida. Sete jogadores que atuam na Itália se apresentaram somente anteontem à noite e participaram de apenas um treino. O zagueiro Desailly, que no Milan atua como meia defensivo, tem uma contusão no pé e é uma ausência quase certa. Dos nove ‘‘italianos’’, só Deschamps e Zidane devem atuar. Dos 22 convocados, seis atuam na França. O técnico Aimé Jacquet disse que o Torneio da França servirá para testar o nível de sua equipe ‘‘em relação ao que há de melhor no futebol.’’ Ele acha que a derrota do Brasil para a Noruega foi ruim para a França. Jacquet prometeu atacar desde o começo e transformar os meias Ba e Pires em atacantes. ‘‘Jogaremos no 4-3-3.’’
Depois de enfrentar a França, o Brasil vai jogar com a Itália, domingo, e com a Inglaterra, terça-feira. Quem conquistar mais pontos fica com o título.FICHA TÉCNICA

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