Zagallo vê 1.º clássico só como mais um jogo
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 19 (AE) - Foram 75 dias de trabalho: 15 jogos, 11 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Mesmo assim, é possível considerar que a real estréia de Mário Jorge Lobo Zagallo, 67 anos, no comando técnico da Portuguesa só será efetivamente amanhã à tarde, no clássico contra o Santos, às 16 horas, no Canindé. O time da Vila Belmiro é o primeiro grande adversário que a Lusa enfrenta este ano e o primeiro grande teste para o ex-treinador da seleção. Zagallo, porém, vê o jogo com outros olhos, "uma partida como outra qualquer", fazendo questão de valorizar a campanha que realizou até aqui. "Primeiro desafio? Não é por aí: se fosse tão fácil jogar contra os times que enfrentamos, o Santos não teria empatado com a Matonense, na Vila, há uma semana", afirmou. "Para mim e para meus jogadores, trata-se de apenas mais uma partida."
O desempenho da Lusa até aqui agrada ao treinador, mas ele ainda vê alguns "probleminhas". Apesar de toda a experiência, Zagallo chega a perder horas de sono e a paciência com a falta de peças de reposição. Ele torce para nenhum de seus titulares se machucar. "Se eu perder dois ou três jogadores, vou ter de inventar: esse é o grande problema da Portuguesa."
O elenco reduzido, para o técnico, ameaça a classificação do time no Paulista, num grupo que tem São Paulo e Palmeiras e coloca apenas duas equipes na semifinal. "Com dois adversários deste porte, não pode haver escorregão, principalmente contra os considerados pequenos." O discurso com os atletas, no entanto, é de confiança. "Costumo dizer a eles que a Lusa não morrerá na praia; vai passar a rebentação e chegar sã e salva."
A adaptação - Hospedado num flat na região dos Jardins, Zagallo diz que não sente saudades das praias ou do belo apartamento no Rio. "Sinto saudades dos familiares; na seleção, eu tinha muito mais tempo para ficar com eles." Com a mulher Alcina, o treinador já arriscou algumas visitas aos restaurantes da cidade, mas ainda não foi ao teatro ou ao cinema, seus outros programas prediletos. Mas quando o assunto é a receptividade dos paulistas, ele se derrete. "Estou muito satisfeito com a recepção da torcida, da imprensa e do público."
Segundo ele, os poucos momentos de hostilidade acontecem nos estádios, com os torcedores adversários. Mas Zagallo tem a resposta pronta: mostra os quatro dedos de uma das mãos e faz o sinal no peito, imitando uma faixa. Tudo para simbolizar os quatro títulos mundiais pela seleção. Por sinal, é difícil desvincular a imagem de Zagallo da seleção. "Quando me param na rua, sempre me perguntam o que houve com Ronaldinho na final da Copa, até os meus amigos imploram para eu dizer a verdade", conta. "Eu digo o que todo mundo sabe: que ele teve uma convulsão que abalou o time todo e foi escalado porque qualquer técnico do mundo o escalaria com o aval dos médicos."
Há cerca de dez dias, Zagallo encontrou-se com o sucessor Wanderley Luxemburgo num jantar promovido pelo apresentador de TV Fausto Silva. "A pressão sobre o Wanderley está apenas começando, mas nós não conversamos sobre seleção, foi só papo informal." Mesmo tendo muito o que dizer, Zagallo não quer se intrometer. "O meu momento é a Portuguesa, um clube que confiou em mim." Antes do convite da Lusa, o treinador chegou a temer pelo desemprego. No ano passado, desprezou ofertas do Paraná, do Botafogo e de um time do México. Em 99, o interesse diminiu e ele chegou a pensar que ficaria parado. "É que eu não tenho ajuda de empresários: sou só eu." Portuguesa: Fabiano; Márcio Goiano, Émerson, César e Augusto; Simão, Carlinhos, Alexandre e Evandro; Leandro e Aílton. Técnico - Zagallo. Juiz - Paulo César de Oliveira. Local - Canindé, às 16 horas.


